Na semana passada o controverso presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, cometeu mais uma de suas costumeiras gafes, ao ser flagrado por um microfone ligado, em um bate papo com o premier britânico Tony Blair, durante encontro do G-8. Na ocasião, se referindo à invasão de Israel ao Líbano, Bush usou a expressão “essa merda”. Nada demais, entretanto, um fato que me chamou a atenção foi a postura das televisões abertas brasileiras, que evitaram a todo o custo transmitir a tradução literal do termo usado por Bush, shit – merda.
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Tive a oportunidade de ver matérias sobre o caso no SBT, na Rede Record e na Globo, em seus respectivos jornais de fim de noite – Jornal do SBT, Jornal da Globo e Jornal 24 Horas. Em todos, a expressão merda foi substituída por termos como porcaria, embora os repórteres avisassem que o presidente havia usado uma palavra menos elegante e mostrassem o áudio. No SBT, inclusive, o áudio apareceu com a referente legenda, mas na hora da merda (perdoem o trocadilho), a transliteração apresentou apenas um m...
Tive a oportunidade de ver matérias sobre o caso no SBT, na Rede Record e na Globo, em seus respectivos jornais de fim de noite – Jornal do SBT, Jornal da Globo e Jornal 24 Horas. Em todos, a expressão merda foi substituída por termos como porcaria, embora os repórteres avisassem que o presidente havia usado uma palavra menos elegante e mostrassem o áudio. No SBT, inclusive, o áudio apareceu com a referente legenda, mas na hora da merda (perdoem o trocadilho), a transliteração apresentou apenas um m...
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Essa questão do uso de termos deselegantes, os populares palavrões, tem seu espaço polêmico no Jornalismo. No Brasil, a Folha de São Paulo assumiu a vanguarda de publicar quase tudo e, segundo Caio Túlio Costa, à época ombudsman do jornal, não houve qualquer ato considerável de insatisfação por parte de seus leitores.
Essa questão do uso de termos deselegantes, os populares palavrões, tem seu espaço polêmico no Jornalismo. No Brasil, a Folha de São Paulo assumiu a vanguarda de publicar quase tudo e, segundo Caio Túlio Costa, à época ombudsman do jornal, não houve qualquer ato considerável de insatisfação por parte de seus leitores.
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Proponho, portanto, aos nobres colegas, uma discussão sobre o tema, em torno de pelo menos quatro questões. 1) Será que, em virtude da clareza e fidelidade, os jornais deveriam expor qualquer palavra usada em um fato noticiado? 2) Cada veículo de comunicação, impresso, televisivo e radiofônico, deve adotar regras próprias, em virtude de suas características peculiares? 3) A veiculação ou não de certas expressões pode variar conforme o horário do jornal (no caso do rádio e TV)? 4) Não existem termos e termos, ou seja, palavras como merda e bunda, por exemplo, não devem ser tratados diferentemente de outras mais pesadas? (Espero os comentários de vocês sobre esses pontos.)
Proponho, portanto, aos nobres colegas, uma discussão sobre o tema, em torno de pelo menos quatro questões. 1) Será que, em virtude da clareza e fidelidade, os jornais deveriam expor qualquer palavra usada em um fato noticiado? 2) Cada veículo de comunicação, impresso, televisivo e radiofônico, deve adotar regras próprias, em virtude de suas características peculiares? 3) A veiculação ou não de certas expressões pode variar conforme o horário do jornal (no caso do rádio e TV)? 4) Não existem termos e termos, ou seja, palavras como merda e bunda, por exemplo, não devem ser tratados diferentemente de outras mais pesadas? (Espero os comentários de vocês sobre esses pontos.)
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Minha opinião, em síntese, respondendo a tais perguntas é: 1) É preciso bom senso, discernimento de cada caso, avaliação da importância que a expressão em cheque ocupa na notícia e se sua substituição pode alterar a clareza da reportagem – o que poucas vezes acontece; 2) Certamente rádio, televisão e jornal impresso precisam observar normas próprias. O impacto deste tipo de palavra no rádio e, principalmente na TV, que tem um público mais heterogêneo, é nitidamente diferenciado; 3) O horário dos jornais de TV e rádio podem, sim, determinar certo limite. Os mencionados noticiários, Jornal do SBT, Jornal da Globo e 24 horas, são veiculados entre o fim da noite e o início da madrugada, onde mesmo a censura para programas já é 18 anos, o que propicia uma maior liberdade, embora essa posição deva ser adotada observando-se o que já foi dito nos itens anteriores, bem como o próximo; 4) Existem termos e termos. A palavra de origem africana bunda, por exemplo, se quer deveria ser considerada palavrão ou mesmo como deselegante, aliás, em alguns casos, cai bem melhor que expressões como glúteos, nádegas ou bumbum –esse último ridículo, mais cabível a programas infantis. No caso da palavra merda, embora devendo ser evitada sempre que possível, acredito que não se tem mais aqui um palavrão, no máximo um termo pouco elegante, entretanto, para situações como o caso apresentado no início, com referência ao que disse Bush, entendo que, nos jornais de fim de noite, as matérias poderiam e deveriam ter usado a tradução literal, sem problemas.
Minha opinião, em síntese, respondendo a tais perguntas é: 1) É preciso bom senso, discernimento de cada caso, avaliação da importância que a expressão em cheque ocupa na notícia e se sua substituição pode alterar a clareza da reportagem – o que poucas vezes acontece; 2) Certamente rádio, televisão e jornal impresso precisam observar normas próprias. O impacto deste tipo de palavra no rádio e, principalmente na TV, que tem um público mais heterogêneo, é nitidamente diferenciado; 3) O horário dos jornais de TV e rádio podem, sim, determinar certo limite. Os mencionados noticiários, Jornal do SBT, Jornal da Globo e 24 horas, são veiculados entre o fim da noite e o início da madrugada, onde mesmo a censura para programas já é 18 anos, o que propicia uma maior liberdade, embora essa posição deva ser adotada observando-se o que já foi dito nos itens anteriores, bem como o próximo; 4) Existem termos e termos. A palavra de origem africana bunda, por exemplo, se quer deveria ser considerada palavrão ou mesmo como deselegante, aliás, em alguns casos, cai bem melhor que expressões como glúteos, nádegas ou bumbum –esse último ridículo, mais cabível a programas infantis. No caso da palavra merda, embora devendo ser evitada sempre que possível, acredito que não se tem mais aqui um palavrão, no máximo um termo pouco elegante, entretanto, para situações como o caso apresentado no início, com referência ao que disse Bush, entendo que, nos jornais de fim de noite, as matérias poderiam e deveriam ter usado a tradução literal, sem problemas.
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Em síntese, creio que seja melhor evitar os palavrões e expressões deselegantes, mas sabendo entender as exceções devidas, com coerência, muito bom senso e equilíbrio, pra não acabar fazendo merda.
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NILDO FERREIRA

