22/04/08

VOCÊ ESTÁ NA MODA?

Talvez o que torna mais difícil responder a essa pergunta seja o fato de que a gente nem sabe o que está na moda no momento. Justamente porque moda é isso, momento, um código instantâneo criado sabe-se lá por quem e que torna-se quase uma regra não escrita.

Todavia, a moda não se restringe ao vestuário, atinge a pessoa como um todo, ou seja, não apenas aquilo que ela veste, mas até aquilo que ela é, molda seus pensamentos, sua personalidade, seus ideais. A moda diz o que as pessoas devem pensar.

Mas, além das meninas raquíticas bunda batida e perna de cambito, há outras tantas modas estranhas. Está na moda ser burro, falar errado, ser ignorante; continua na moda andar com camisa de Che Guevara só pra se sentir revolucionário (se bem que isso pode ficar classificado no ponto anterior, ser burro!); está na moda tirar foto na frente do espelho fazendo cara de garota da Playboy; está na moda as mulheres quererem empatar com os homens na sem-vergonhice; está na moda as meninas perderem a virgindade aos 13 ou 14 anos; está na moda acusar todo padre de pedófilo, todo pastor de ladrão e toda pessoa que confessa religião de falso, hipócrita e ignorante, muito embora a grande maioria dos milhões de brasileiros seja composta de católicos e evangélicos, e o preconceito religioso condenado pela Constituição.

Está na moda ser gay, bissexual, transexual, pansexual, multisexual, ter orgulho disso e querer que todos sejam também; está na moda jogar crianças pequenas em bueiros, lagoas, riachos e até das janelas dos prédios por – dizem – problemas de depressão pós-parto e transtornos afins; está na moda defender bandidos; está na moda casar por qualquer coisa e separar por qualquer coisa; está na moda ser livre, independente, liberal, amoral, cabeça aberta e ter de viver consumindo anti-depressivos, talvez porque quanto mais pretensamente livre o homem para entregar-se sem freios aos seus instintos animais, maiores são as aflições do vazio posterior que lhe esmaga.

Está na moda dizer que não se pode ter as mesmas opiniões, em pleno século XXI, sobre valores morais que se tinha no passado. Logo, se esse mundo chegasse ao século XXX, como seria? Como é bom não ficar aqui para saber.

Eu, definitivamente, não estou na moda. E você?

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Pensamento:

"Você deve manter sua mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia."
Carl Sagan

18/04/08

UM SONHO IMPRESSO NO PAPEL

Foi ontem à tarde. Saí do trabalho para buscá-lo. Inesperadamente, havia ansiedade, de modo que, apesar da reitoria da UEPB ser pertinho dali, lamentei não ter ido na minha velha motoca pra chegar mais rápido. Por que estava ansioso, se aquilo era a conseqüência natural de tanto esforço e, além disso, era apenas um pedaço de papel?

Lá, a funcionária entregou-me esse pedacinho de papel com um simpático sorriso de “parabéns”. Sorri também. “Assina agora?”, perguntou. “Não, depois”, respondi. As mãos, já trêmulas por natureza, agora haviam perdido a capacidade de assinar bem o que quer que fosse, e não queria marcar o papel com uma garrancheira mais ininteligível que o habitual. Agradeci mais uma vez, e saí dali com meu diploma, agora oficialmente um bacharel em Comunicação Social, um jornalista.
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Na volta, refletia sobre aquela surpreendente emoção, e entendi o porquê. Aquele papel que me dizia jornalista era, acima de tudo, o atestado de que tudo valeu a pena, toda a luta, toda a insistência, as noites perdidas com a cara nos livros... Era, ainda, a prova de que, quando queremos de verdade, mudamos nossa vida, alteramos aquilo que parecia ser nosso destino certo. Esse agora jornalista, foi o menino raquítico, morador da favela, criado sem pai, com necessidades, fome e humilhação, o que, para muitos, era a certeza inequívoca de fracasso e condenação ao degredo social.

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As palavras impressas no diploma pareciam embaralhar-se diante dos meus olhos e, ao invés do formal “concedo a Lenildo da Silva Ferreira o título de bacharel...” parecia anunciar: “Você conseguiu, menino! Você disse que ia chegar até aqui!”
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Reli para ver se era meu nome mesmo ali, e pareceu-me ouvir a voz da professora Fátima, tantos anos atrás, a chamá-lo em voz alta. Vi o guri magricela que, ante o chamado, timidamente entrara pela primeira vez em uma sala de aula, no Sesi. Lembrei de tudo, momentos felizes e amargos, todos eles importantes para mim, todos eles parte de mim, orgulhosamente componentes de minha história.

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Agradeci silenciosamente a muitos. Minha mãe, amigos e, acima de tudo, ao Senhor de tanta Graça e misericórdia. Sinceramente, agradeci também àqueles que não creram, aqueles que me pisaram, aqueles que tinham certeza do fracasso, porque frustrá-los era a reserva de força nos momentos de desânimo. Ninguém precisa ser amanhã aquilo que é hoje, ninguém é condenado invariavelmente à miséria, ninguém precisa sucumbir ao meio.
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É apenas um pedaço de papel, e nunca será mais que isso. Mas nele está impresso uma história, uma luta e, sobretudo, um sonho.