
Tendo um terço desse janeiro ido para o beleléu, finalmente cedo à relutância pessoal e resolvo, por justiça, escrever algumas linhas sobre o ano que passou. Os parcos leitores desse blog, aliás, devem notar que ando relutante mesmo em escrever qualquer coisa – é fase. Mas, repito, preciso fazer justiça aos fatos, razão pela qual dar-se o presente registro.
Poderia definir 2008 como o ano em que as coisas finalmente aconteceram. Foi nele que me formei jornalista, que ingressei no serviço público, que me pós-graduei, que perdi boa parte dos quilos que ganhei ao longo de uma década e que descobri o que é amar de verdade e ser amado. Balanço mais que positivo, com certeza.
O sonho de ser jornalista se realizou. Um sonho que nasceu na tenra infância, quando nos meus dias na escola Manoel Francisco da Motta, lá pelos nove ou dez anos, fui encarregado de ser o editor de um jornalzinho em comemoração ao dia das comunicações. De lá até o diploma da UEPB foram-se uns dezessete anos de luta renhida, tristezas, sofrimentos, humilhações, fatores amargos que acabaram por adoçar a conquista. No dia da colação de grau, acredito que 21 de janeiro, (nunca escrevi sobre isso), cheguei sozinho ao evento, fiquei em um canto e, em meio ao intenso movimento de formandos e suas famílias, refiz todo o trajeto que o menino magro da favela, filho criado com pai ausente, que precisou tolerar ser chamado de “Passa Fome”, teve de percorrer até ali. Foi uma história que mudou.
Naquele mesmo mês, dias antes, havia tomado posse na carreira de Polícia Científica, resultado de um concurso de 2003. Meses antes estava desempregado, liso, tendo que vender as poucas coisas que possuía para garantir até a condução para a faculdade. Agora podia comprar minha motoca, reformar a casa da velha minha mãe e viver uma vida com mais dignidade. Dignidade, aliás, que nesse ano como polícia na Medicina Legal pude manter, podendo dizer com alegria e orgulho: não corrompi ninguém, ninguém me corrompeu, nunca pus no bolso nada além daquilo que o senhor Cássio Cunha Lima me paga.
Saindo da faculdade, optei por uma pós-graduação e, junto com meu amigo-irmão Márcio Santana, me tornei um especialista em letras e literatura. No campo literário, por sinal, fiz minhas primeiras incursões como contista, e o singelo “Um Misterioso Barulho na Noite” até esteve no rol de vencedores de dois concursos. Em um deles, ganhei um troféu e um certificado, onde meu nome está grafado errado – LeOnildo – e um livro que nem lembro o título. No outro, o continho ficou de ser publicado numa coletânea, e a promessa era receber os livros até dezembro – ainda nem vi a cor. Melhoras em 2009, espero.
Por fim, no dia 30/12, formalizei o noivado com Victória, nas calorentas terras de Manaus. Aí está, sem sombra de dúvidas, minha maior conquista em 2008. História, porém, para os próximos capítulos, já que meus parcos leitores não têm um ano para ler uma publicação demasiada extensa. Até!

