
27/03/09
Ligações perigosas

21/03/09
Malajornalismo
O jornal não anda bem das pernas. É preciso criar estratégias para aumentar as vendas. O editor geral do Amazonas Em Tempo, de Manaus, acreditou saber o caminho: tudo começa por uma manchete chamativa. Vejam a capa de 10 de março:

06/03/09
Dica legal
A internet e eu
Eu sou um homem dos tempos modernos, todavia longe de ser um primor de modernidade. Tenho um jeito de falar, pensar e me portar que lembra, em muitos aspectos, um sujeito de algumas décadas atrás. Sou, portanto, do tempo da penca velha, um nordestino campinense legítimo, embora nascido meio que por engano em São Paulo, registrado acolá só com o nome da mãe (Silva, como Lula) e, depois, por intervenção de meu avô Zé Flozino (vale a pena ler), re-registrado aqui, com direito, enfim, ao sobrenome Ferreira, única coisa que preste que recebi da veia paterna – a outra herança forte é o temperamento ajumentado.
PARA REFLETIR NO TRONO
Tem faltado poesia nesse blog nos últimos tempos. E olhem que sou um homem cada vez mais apaixonado. Por isso, resolvi não meramente colocar o texto de um dos meus poemas aqui, mas publicá-lo em áudio e vídeo. Trata-se de uma obra de 1999, uma profunda reflexão sobre a vida. Vale a pena esperar carregar - mesmo se sua internet for discada.
04/03/09
Acervo digital
PARA QUEM GOSTA
DE 'NOTÍCIAS VELHAS'
À esquerda, a edição N° 01 de Veja (11 de setembro de 1968), com a manchete de capa sobre os conflitos na cortina de ferro; À direita, edição Nº 94 (24 de junho de 1970), com a conquista definitiva da taça Julis Rimet pelo tricampeonato da seleção brasileira, na Copa do México.
À esquerda, a edição N° 1167 (30 de janeiro de 1991), com a ampla cobertura da Guerra do Golfo; À direita, edição N° 1236 (27 de maio de 1992), o irmão do presidente dá declarações bombásticas, que empurrariam ainda mais Collor rumo à cassação;

01/03/09
Negócio da PB
PAGA-SE MAL
O título acima faz alusão à reportagem de Gil Campos que chegou a ser indicada para o Prêmio Esso 1989, “Mata-se jornalista; Paga-se bem”. Falava algo sobre a morte encomendada de jornalista, e mais não sei porque nunca consegui ter acesso ao texto (Gil bem que poderia disponibilizar para a gente).
O caso é que, por estas terras paraibanas, arrumaram um jeito mais eficiente e barato de calar a imprensa: comprando. (Adianto: sei que é um problema não só da Paraíba, mas devo focar na realidade em que convivo.)
Como diz o professor (e filósofo) Luís Barbosa Aguiar, aqui não existe liberdade de imprensa, mas apenas liberdade de empresa. E a empresa é livre pra se vender a quem quer, e atuar pelos interesses de seus donos, de forma que o pobre repórter se vê ante a necessidade de fazer um jornalismo meia boca pra poder arranjar a feira no fim do mês, valendo-se da ética da barriga, outro axioma legítimo do professor Aguiar.
Nessas horas que, por sinal, ter um emprego público traz alívio.
Mas o que mata de desgosto mesmo não é a venalidade das empresas, e sim o fato de tantos dos nossos colegas venderem até a alma por qualquer tostão a mais. Verdadeiros jornalistas-meretrizes, rodando bolsinha nas redações e salões políticos, fazendo programinhas a custo inferior ao que deve cobrar uma daquelas tantas quengas mal acabadas que vendem seus corpos nada atraentes nas noites da rua João Pessoa.
Por causa destes que fatos como o que conto agora nos acontecem. Dias atrás, um indivíduo que foi candidato a prefeito numa cidade perto de Campina Grande teve seu nome denunciado na Polícia Civil pela própria mãe, segundo a qual ele teria usado seu cartão de aposentada para fazer empréstimos, sem seu conhecimento. Até aqui, notícia policial.
Ocorre que atendo ao telefone, e um vereador do mesmo município, desafeto político do acusado, liga querendo saber se o caso vai sair no jornal. Respondo que isso vai depender dos editores e o tal, não muito satisfeito, antes de desligar lança sua cartada final: “Veja aí o que dá pra fazer; Podemos ajeitar um agrado”.
Agrado! Coisa que namorado de viúva usa pra despachar os filhos da enlutada, com uns trocados pra comprar chiclete, e ficar mais à vontade para consolá-la.
Disse um não redondo e bati o telefone na cara do safado. Mas queria mesmo era gravar a conversa, dar corda, receber o agrado e fazer uma bela reportagem de capa entregando esse sujeito: “Vereador tenta subornar repórter para escrever matéria contra adversário”. Todavia, para tanto, precisaríamos de mais alguma liberdade de imprensa. Não houve a reportagem, e a manchete da capa foi sobre algum muro que a chuva derrubou. Sem vítimas.

