27/03/09

Ligações perigosas

AMOR AO JAZZ RENDE ACUSAÇÃO

. DE MENSALINHO A NOBLAT
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O (famigerado) blog Os Amigos do Presidente Lula trouxe, na semana passada, uma acusação que ainda vem rendendo, de modo que trazemos aqui para que quem não esteja por dentro possa se inteirar. Segundo a denúncia, o jornalista Ricardo Noblat, um dos mais afamados do País na seara do jornalismo político, receberia um mensalinho do Senado, cujo contrato teria sido assinado quando nosso conterrâneo Efraim Moraes (DEM) ocupava a secretaria da mesa daquela Casa.

Conforme acusam, Noblat vem recebendo mais de R$ 40 mil por ano para produção e apresentação de um programa semanal sobre jazz na Rádio Senado. O blog ainda apresenta imagem do demonstrativo de contrato (cópia acima), onde o sobrenome Noblat é omitido na informação do contratado, aparecendo apenas Ricardo José Delgado – o nome completo do jornalista é Ricardo José Delgado Noblat.

Em resposta, Ricardo Noblat afirmou que entre março de 1999 e agosto de 2008 pagou do próprio bolso todos os custos do programa. “Foram 493 programas ao custo mensal de R$ 1.200,00”, declara, acrescentando: “Devo ser o único brasileiro que até hoje doou dinheiro ao Senado - 135.600,00 (113 meses x R$ 1.200,00). Fi-lo porque qui-lo.Na época, era medíocre a qualidade de produção da rádio Senado. Procurei uma produtora em Brasília - a Linha Direta. Ela cuida do programa. Gosto das coisas bem feitas e topo pagar por elas”.

Ele afirma ainda que, em setembro, pôs a direção do senado na parede, para que, finalmente, arcassem com as custas do programa. “Firmaram então um contrato comigo no valor mensal de R$ 3.360,00. Descontados impostos e o que pago à produtora (R$ 1.750,00), restam-me por mês R$ 490,00. Preciso de mais 23 anos a R$ 490,00 por mês para recuperar os R$ 135.600,00. Não viverei tanto”, ironiza, e conclui dizendo desconhecer o porquê do seu sobrenome famoso ter sido omitido do documento digital. “O contrato foi assinado com meu nome completo. Peçam explicações ao Senado”, finalizou.

Os argumentos não convenceram muita gente, e o jornalista vem batendo boca com leitores de outros blogs bem conhecidos, como o do também jornalista Paulo Henrique Amorim. A turma não entende por que Noblat escolheu logo a rádio Senado, sendo um comentarista político, quando tantas outras adorariam tê-lo apresentando um programa sem custos para a emissora. Outro questionamento é quanto ao fato de o contrato ter sido firmado sem licitação.
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Oh, povo para não acreditar em amor à arte!

21/03/09

Malajornalismo

MANCHETE PARA VENDER JORNAL


O jornal não anda bem das pernas. É preciso criar estratégias para aumentar as vendas. O editor geral do Amazonas Em Tempo, de Manaus, acreditou saber o caminho: tudo começa por uma manchete chamativa. Vejam a capa de 10 de março:

Quem lê a manchete, via de regra, vai acreditar que um promotor de justiça foi executado, o que, evidentemente, tem grande repercussão. Acontece que o promotor, no caso, não era de justiça, mas de eventos.

O fato é que, naquela dia, muita gente comprou o Em Tempo querendo saber quem teria sido o promotor (de Justiça) assassinado, e se a execução teria a ver com o exercício de suas funções.

A estratégia só não deve ter dado muito certo porque quem comprou, enganado, a edição daquela dia não deve querer saber tão cedo do jornal.

06/03/09

Dica legal

VOIP: UMA SAÍDA PARA GASTAR

MENOS COM TELEFONE


Em um post anterior, prometi apresentar, a quem por acaso ainda não conheça, uma dica muito legal para economizar em ligações telefônicas. Principalmente ligações DDD e DDI. Trata-se do Voip.

O que é isso?

Segundo a Wikipédia: Voz sobre IP, também chamado VoIP, telefonia IP, telefonia Internet, telefonia em banda larga e voz sobre banda larga é o roteamento de conversação humana usando a Internet ou qualquer outra rede de computadores baseada no Protocolo de Internet, tornando a transmissão de voz mais um dos serviços suportados pela rede de dados.

Pufff!! Não entendeu?

Resumo: você instala um software no PC e, usando um headset (fone de ouvido com microfone, pra quem não entende francês) pode ligar para qualquer lugar por um preço muitoooo mais baixo que o praticado pelas concessionárias de telefonia – ou mesmo de graça.

O esquema é o seguinte:

Ao instalar o software, você precisa pôr créditos, usando cartão. Pelo menos 10 euros, o que, no câmbio de hoje, fica perto dos R$ 30. Achou caro, seu Nanô?

Acontece que, com esse valor, você tem de noventa a 120 dias para fazer ligações de graça para fixos DDD e mesmo DDI de vários países, desde que utilize até 300 minutos por semana, o que dá uma média de 42 minutos por dia. Ou seja, isso tudo por, no máximo, R$ 30 a cada três meses! Dá para mandar sms também, por menos da metade do que cobram as operadoras de celular.

O Voip foi minha salvação para falar ao telefone todo santo dia com Victória. Lembrando, basta que quem liga tenha o Voip, quem recebe, atende de uma linha comum. No meu caso, como estourava esse limite (namorada a 5 mil quilômetros de distância dá nisso), instalei dois voips diferentes, e acabou dando certo.

Como baixar o software? E os requisitos?

O Uol e o Terra têm esse tipo de serviço, mas o preço não é lá essas coisas. Recomendo os dois que uso: Just Voip e Voip Raider. Quem quiser mais informações, pode procurar comunidades no Orkut sobre o assunto. Para ir a uma delas, clique AQUI.

Quanto aos requisitos, é aquilo mesmo que seu PC, via de regra, já tem, mais o headset. E quanto mais rápida sua internet, melhor a qualidade. Na minha de 150k, que usava na casa de minha mãe, fica um delay meio chato, de vez em quando uns mudos, e uma chiadeira, mas, mesmo assim, para quem precisa do telefone para contato com quem está longe, quebra um galhão. Na que instalei na minha nova residência de casado, com 300k, já fica muito melhor.

Enfim, baixa o software e experimenta. Se você tem parentes em outros estados, e mesmo fora do País, o Voip vai te ajudar bastante.


A internet e eu

DE COMO A NET FEZ
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DE.MIM UM MATUTO ATUALIZADO
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O que essa foto tem a ver com o texto? Vai lendo

Eu sou um homem dos tempos modernos, todavia longe de ser um primor de modernidade. Tenho um jeito de falar, pensar e me portar que lembra, em muitos aspectos, um sujeito de algumas décadas atrás. Sou, portanto, do tempo da penca velha, um nordestino campinense legítimo, embora nascido meio que por engano em São Paulo, registrado acolá só com o nome da mãe (Silva, como Lula) e, depois, por intervenção de meu avô Zé Flozino (vale a pena ler), re-registrado aqui, com direito, enfim, ao sobrenome Ferreira, única coisa que preste que recebi da veia paterna – a outra herança forte é o temperamento ajumentado.

A despeito disso, sou razoavelmente antenado nas ferramentas contemporâneas, principalmente a internet. Esse é, contudo, um contato recente. Apesar de ter algum acesso à rede desde uns cinco anos atrás, somente depois que coloquei minha internet via rádio de 150k esse mundão passou a ficar pequeno.

A Web virou meu local de trabalho, estudo e pesquisas. Por aqui fiz um monte de cursos, agilizei uma pós-graduação, passei a me informar mais, aprendi a dar nó de gravata, entabulei esse negócio de blog, acostumei a pagar as contas, conheci a mulher que sexta que vem vira minha esposa...

Heinnnnnnnnnn???????!!!

Assim pode estar o leitor que não conhece a história. Resumo: conheci Victória através de um bate-papo de evangélicos. Conversamos, conversamos, conversamos, e o assunto foi rendendo, rendendo, rendendo, passou para o Msn, telefone (viva o Voip, depois escrevo sobre ele) e, tempos depois, acabei entrando num avião rumo a Manaus, trajeto que virou quase caminho de roça (viva o Mercado Livre, que ajudou esse jornalista-necrotomista quase liso nisso).

Pois é. Praticamente fiz o download de minha Victória – e nem foi pelo Baixaki.

Além de tudo isso, foi pela internet que, desesperado ao descobrir que Manaus é a terceira colocada na lista de capitais com hotéis mais caros do País, achei um albergue muito legal, localizado ao lado do famoso Teatro Amazonas, com diárias a partir R$ 20, incluso café da manhã – dinheiro que mal paga um lanchinho na cidade. Até a igreja onde vamos casar, Batista do Japiim, desenrolei via grande rede.

A Web tem me atualizado constantemente. Lenildo versão 2009 (ou 2.7) é mesmo um novo homem. Novo, moderno, mas sempre do tempo da penca velha.

Portanto, meu amigo, vale o provérbio internético: se não encontra um sentido para a sua vida, procura no Google.


PARA REFLETIR NO TRONO

Tem faltado poesia nesse blog nos últimos tempos. E olhem que sou um homem cada vez mais apaixonado. Por isso, resolvi não meramente colocar o texto de um dos meus poemas aqui, mas publicá-lo em áudio e vídeo. Trata-se de uma obra de 1999, uma profunda reflexão sobre a vida. Vale a pena esperar carregar - mesmo se sua internet for discada.

04/03/09

Acervo digital

PARA QUEM GOSTA

DE 'NOTÍCIAS VELHAS'

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Sempre tive verdadeira fascinação pela leitura de jornais e revistas antigos. É como mergulhar numa espécie de túnel do tempo, já que o texto jornalístico nos remete à realidade da época, através do cenário de momento e fatos marcantes. Inconveniente, via de regra, é que esse tipo de leitura costuma provocar uma alergia de lascar, por aquela poeira e cheiro de papel velho. Mas, para quem, como eu, gosta de notícias de ontem, a revista Veja, numa iniciativa muito legal, disponibiliza um acervo digital onde, além de visualizar suas capas, é possível ter acesso à íntegra da publicação. Uma vez aberta a edição escolhida, clicando sobre a imagem, ela amplia-se, e você poder ler o texto facilmente. Sem coriza nem espirros.


À esquerda, a edição N° 01 de Veja (11 de setembro de 1968), com a manchete de capa sobre os conflitos na cortina de ferro; À direita, edição Nº 94 (24 de junho de 1970), com a conquista definitiva da taça Julis Rimet pelo tricampeonato da seleção brasileira, na Copa do México.


À esquerda, a edição N° 1167 (30 de janeiro de 1991), com a ampla cobertura da Guerra do Golfo; À direita, edição N° 1236 (27 de maio de 1992), o irmão do presidente dá declarações bombásticas, que empurrariam ainda mais Collor rumo à cassação;

Para visitar o acervo, clique AQUI.

A IstoÉ também possui um acervo digital, mas apenas com edições a partir de janeiro de 2007 (ao menos até agora). De qualquer forma, dá para encontrar edições até 1996, mas não no padrão digitalizado. E a coisa é meio bagunçada.



Por falar em Collor, a edição N° 1945 (07 de fevereiro de 2007) traz na capa reportagem sobre a volta do perseguidor de marajás ao centro do poder (para "alguns", antro da sacanagem).

Pra conferir, é só clicar AQUI.

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PS:
Não tenho conhecimento de acervo digital da revista Época.

01/03/09

Negócio da PB

COMPRA-SE JORNALISTA;
PAGA-SE MAL



O título acima faz alusão à reportagem de Gil Campos que chegou a ser indicada para o Prêmio Esso 1989, “Mata-se jornalista; Paga-se bem”. Falava algo sobre a morte encomendada de jornalista, e mais não sei porque nunca consegui ter acesso ao texto (Gil bem que poderia disponibilizar para a gente).

O caso é que, por estas terras paraibanas, arrumaram um jeito mais eficiente e barato de calar a imprensa: comprando. (Adianto: sei que é um problema não só da Paraíba, mas devo focar na realidade em que convivo.)

Como diz o professor (e filósofo) Luís Barbosa Aguiar, aqui não existe liberdade de imprensa, mas apenas liberdade de empresa. E a empresa é livre pra se vender a quem quer, e atuar pelos interesses de seus donos, de forma que o pobre repórter se vê ante a necessidade de fazer um jornalismo meia boca pra poder arranjar a feira no fim do mês, valendo-se da ética da barriga, outro axioma legítimo do professor Aguiar.

Nessas horas que, por sinal, ter um emprego público traz alívio.

Mas o que mata de desgosto mesmo não é a venalidade das empresas, e sim o fato de tantos dos nossos colegas venderem até a alma por qualquer tostão a mais. Verdadeiros jornalistas-meretrizes, rodando bolsinha nas redações e salões políticos, fazendo programinhas a custo inferior ao que deve cobrar uma daquelas tantas quengas mal acabadas que vendem seus corpos nada atraentes nas noites da rua João Pessoa.

Por causa destes que fatos como o que conto agora nos acontecem. Dias atrás, um indivíduo que foi candidato a prefeito numa cidade perto de Campina Grande teve seu nome denunciado na Polícia Civil pela própria mãe, segundo a qual ele teria usado seu cartão de aposentada para fazer empréstimos, sem seu conhecimento. Até aqui, notícia policial.

Ocorre que atendo ao telefone, e um vereador do mesmo município, desafeto político do acusado, liga querendo saber se o caso vai sair no jornal. Respondo que isso vai depender dos editores e o tal, não muito satisfeito, antes de desligar lança sua cartada final: “Veja aí o que dá pra fazer; Podemos ajeitar um agrado”.

Agrado! Coisa que namorado de viúva usa pra despachar os filhos da enlutada, com uns trocados pra comprar chiclete, e ficar mais à vontade para consolá-la.

Disse um não redondo e bati o telefone na cara do safado. Mas queria mesmo era gravar a conversa, dar corda, receber o agrado e fazer uma bela reportagem de capa entregando esse sujeito: “Vereador tenta subornar repórter para escrever matéria contra adversário”. Todavia, para tanto, precisaríamos de mais alguma liberdade de imprensa. Não houve a reportagem, e a manchete da capa foi sobre algum muro que a chuva derrubou. Sem vítimas.