31/12/09

'AQUELE EU QUE EU NÃO CONHECIA'

Sempre tive a convicção de que, se aqueles com quem convivo parassem para, com humildade e o coração aberto, ouvir o que eu e os outros pensávamos a seu respeito, em particular daquilo em que deveriam mudar, eles se tornariam pessoas muito melhores.

Quanto ao meu julgamento pessoal, confesso sempre ter sido mais complacente comigo mesmo. Não tenho um gênio descontrolado, apenas sou um pouco temperamental; Não sou muito teimoso, só um pouco insistente; não estou gordo, apenas um pouco acima do peso. Esses são meus defeitos – ninguém é perfeito! Todos perdoáveis, possíveis de serem ignorados, afinal de contas tenho qualidades tão interessantes, como ser muito bom amigo, muito humilde, muito compreensivo, muito esforçado, muito trabalhador, muito verdadeiro e tenho os olhos muito bonitos, etc., etc., etc.

Até que um dia, não sei se em um sonho, um delírio, uma visão ou o que quer que tenha sido, ao dobrar de uma esquina da existência, deparei-me com um sujeito muito parecido comigo. Não recordava de onde ou como, mas eu o conhecia muito bem, e ele também me conhecia. Aproximou-se de mim, sorrindo amigavelmente, e já foi indagando:

- Diga com sinceridade: o que pensa a meu respeito?

Olhei em seus olhos, refleti e retruquei:

- Você é uma ótima pessoa. Mas... precisa mudar algumas coisas, pois, do contrário, pode comprometer gravemente sua convivência com os outros, inclusive com quem te ama. Estou falando desse seu temperamento horrível. Tudo lhe irrita, faz perder as estribeiras. Não me leve a mal, mas, às vezes, parece um cavalo dando coices! Sinceramente. Tente se controlar mais. Não pode ser assim... Isso é ridículo!

Já ia dando por encerrada minha prédica quando emendei:

- Ah! Aproveita e faz um regime pra diminuir essa barriga! Você está gordo demais... Só isso...
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O cara me sorriu novamente e, aqui, pareceu que o encanto se desfez. Achei-me diante do espelho. Isso mesmo: aquele sujeito era eu.

É muito mais fácil ver e condenar as falhas alheias que as nossas, que sempre parecem menores e perdoáveis. Assim ajo eu, assim o outro age, assim agimos todos, juízes do mundo, advogados de nós mesmos. Quem dera julgássemos os outros com a mesma medida com que nos julgamos. Descobriríamos que eles não são tão maus quanto às vezes pintamos, e nos conheceríamos melhor, vendo que não somos tão bons quanto, pretensiosamente, acreditamos ser.
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Conto de Lenildo Ferreira

30/12/09

POLÊMICA DAS EMENDAS: PARA PREFEITURA, JUSTIFICATIVA DE RÔMULO GOUVEIA É DESCULPA ESFARRAPADA

Essa polêmica vai longe. Vejam a nota da Prefeitura e o levantamento dos dados que desmentiriam o deputado federal Rômulo Gouveia (PSDB). Se o deputado mandar para meu e-mail o rebate do rebate do rebate, publico, e vamos em frente:

A Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura de Campina Grande – CODECOM / PMCG emitiu nota nesta terça-feira (29) lamentando a postura do deputado federal Rômulo Gouveia (PSDB) que, “sem ter como se explicar pelo fato de não ter direcionado suas emendas para Campina Grande, cidade onde obteve votação majoritária na eleição para a Câmara Federal, optou por criar desculpas”.

Notícia distribuída nesta segunda-feira pela Assessoria de Imprensa do parlamentar informou que ele não direcionou as emendas porque a Prefeitura de Campina Grande estaria no Cadastro Único de Convênios - CAUC. “Pra começar, não há qualquer impedimento de se apresentar emendas para uma cidade que esteja no CAUC”, diz a nota.

Além disso, - prossegue a nota - a administração do prefeito Veneziano foi responsável por retirar a PMCG do CAUC mais de cem vezes, desde 2005, “fruto da irresponsabilidade administrativa das administrações passadas”. Outro detalhe é que, enquanto Rômulo diz que ficou impedido de direcionar suas emendas para Campina Grande, alegando o CAUC, Vital Filho direcionou as suas sem problemas, o que comprova que a desculpa usada pelo deputado não condiz com a verdade.

“O mais grave é que Rômulo divulgou nomes de entidades informando que elas foram beneficiadas por suas verbas, uma vez que não quis direcioná-las à PMCG. Porém, o portal da Câmara dos Deputados informa que as entidades não receberam o dinheiro porque simplesmente o deputado não liberou ou não empenhou as emendas, com exceção de uma emenda de R$ 100 mil, o que é muito pouco, em três anos, para um parlamentar que teve a votação que ele obteve em Campina”, diz a nota. Veja o levantamento:
Deputado Rômulo Gouveia – OGU 2009 / Campina Grande-PB

As emendas referentes ao Orçamento Geral da União 2010 estão em tramitação

A nota da Codecom lembra que o próprio prefeito Veneziano Vital do Rego reconheceu o trabalho do deputado Luiz Couto que colocou emenda para a Casa do Artesão, no valor de R$ 200 mil, no OGU 2008, mas lamentou a postura dos demais parlamentares que, em três anos, não colocaram um só centavo para a cidade, com exceção do deputado Vital do rego Filho, “que, coerente com a votação que recebeu, colocou a maioria de suas emendas para Campina”.

A Codecom/PMCG agradece ao deputado Luiz Couto e, sobretudo, ao deputado federal Vital do rego Filho, “que não tem medido esforços para beneficiar Campina Grande com suas emendas, sendo o grande carreador de recursos para o município”. Veja o quadro que apresenta o valor direcionado para Campina Grande pelos parlamentares com atuação na cidade, nos orçamentos de 2008, 2009 e 2010 (previsão orçamentária):

Vital Filho – R$ 155 milhões

Rômulo Gouveia – R$ 100 mil

Damião Feliciano – R$ 140 mil

Marcondes Gadelha – R$ 100 mil

Luiz Couto – R$ 1 milhão

29/12/09

PESQUISA OPINIÃO EM CG: COUTINHO É O PREFERIDO PARA GOVERNADOR; CÁSSIO E VENEZIANO NA FRENTE PARA O SENADO

Segundo divulgado no portal Tony Show, o Instituto Opinião realizou pesquisa de intenção de voto em Campina Grande, para os cargos de governador, senador, deputado federal, deputado estadual e presidente da República. O portal não informa dados complementares, como o período de estrevistas e margem de erro, explicando apenas que na pesquisa, supostamente encomendada por um deputado não identificado, teriam sido ouvidas 802 pessoas na cidade. Além disso, apenas os percentuais relativos à disputa para o Governo do Estado e o Senado da República foram divulgados.

A seguir, os números referentes à intenção de voto para senador. Os índices registram a soma dos dois votos de cada entrevistado, já que as eleições de 2010 renovam dois terços do Senado.

O portal Tony Show não divulgou índices de brancos, nulos e indecisos para a disputa pelo Senado. Para visualização ampliada da imagem, clique sobre ela.

Vale lembrar que não há confirmação ou negativa por parte do Instituto Opinião sobre a pesquisa, aliás, as informações do site Tony Show não deixam claro a identidade da empresa responsável pelos dados. As artes (montagens gráficas) são do Blog do Lenildo.

28/12/09

ASSESSORIA DE RÔMULO EMITE NOTA MAIS UMA VEZ REBATENDO VENEZIANO

Publico, abaixo, uma nova resposta do deputado federal Rômulo Gouveia quanto às críticas do prefeito Veneziano Vital porque o tucano não direcionou sua emenda para Campina Grande. A resposta, de origem de sua assessoria, é melhor elaborada que as declarações do próprio Rômulo, mas sua assessoria devia cuidar de produzir um texto mais enxuto, se não, ninguém lê.

O Deputado Federal Rômulo Gouveia rebateu as críticas feitas pelo prefeito de Campina Grande, por meio de servidores da Prefeitura que escrevem para portais de internet, quanto à destinação de suas emendas parlamentares ao Orçamento geral da União, insinuando que as mesmas não beneficiariam Campina Grande.Segundo Rômulo, o seu trabalho parlamentar não deve e não pode ser questionado por quem não tem competência para isso. “Só ao povo de Campina Grande devo satisfações, não ao prefeito”. Rômulo considerou como “desespero” as informações incompletas e distorcidas veiculadas na mídia em relação ao assunto das emendas, dizendo que nunca direcionou recursos diretamente à Prefeitura, “por ser um órgão que encontra-se envolvido em muitas denúncias de malversação de recursos públicos”.

“Quem tiver acesso ao SIAFI, que é o sistema que gerencia a aplicação das verbas federais, e verificar o Cauc, que é o cadastro único de convenentes, verá que a Prefeitura de Campina Grande, nos últimos três anos, meu período como deputado federal, não ficou em situação de adimplência em quase nenhum mês. E não adianta querer botar a culpa em gestores anteriores, pois muitas das inadimplências foram causadas pela atual administração”. Fora situações excepcionais previstas na legislação, não é possível o repasse de verbas federais para entidades e órgãos inadimplentes. Assim, direciono minhas emendas para entidades filantrópicas, da área de saúde e para as Universidades públicas instaladas em Campina Grande, que sempre estão adimplentes com os órgãos federais e cujos benefícios são transferidos diretamente à população, com efetividade e transparência, disse Rômulo.

O Deputado citou como exemplo de entidades beneficiados com suas emendas em Campina Grande a Universidade Federal de Campina Grande, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Campina Grande, a Escola Técnica Redentorista, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE, o Hospital da FAP, o Hospital Pedro I, a Universidade Estadual da Paraíba, o Instituto dos Cegos do Nordeste além dos projetos culturais Sítio São João e Associação de Quadrilhas Juninas, dentre outras. Rômulo comentou também o trabalho de seus colegas de bancada, questionado pelas matérias divulgadas pela assessoria de comunicação da PMCG: “Querer desmerecer o trabalho de parlamentares atuantes em favor dos campinenses, como Marcondes Gadelha cujos familiares são responsáveis por grandes empreendimentos na cidade, Damião Feliciano, que gera emprego e renda na cidade por meio de seus empreendimentos educacionais e na mídia e cujo trabalho todos conhecem e Luiz Couto, grande defensor da educação superior e todos também parceiros das Universidades públicas de Campina Grande, é no mínimo um desrespeito para com os mesmos”.

“Os releases oficiais da prefeitura não disseram da minha luta em favor do Aeroporto João Suassuna para a instalação de novos equipamentos de segurança do vôo. Não escreveram uma linha sequer sobre o lixão da cidade, e do meu comprometimento publico em buscar uma solução para o problema, que está comprometendo a segurança dos vôos e ameaçando a retirada dos mesmos. Omitiram a minha luta em favor da interiorização e expansão do ensino superior e profissionalizante, público e gratuito e da universalização dos serviços de telefonia móvel celular e internet, enfim, tentaram desmerecer e desqualificar um trabalho que está refletido nas últimas pesquisas de opinião, em que a população de minha querida cidade reafirma a preferência e o desejo de que eu continue com a minha atuação na Câmara dos Deputados”, acrescentou Rômulo Gouveia.

Prossegue o deputado Rômulo: ”Também omitiram o fato de eu ter sido o parlamentar mais atuante em 2009”. Os números sobre a produção parlamentar do Deputado Rômulo Gouveia dão a exata dimensão do seu grande trabalho em favor dos paraibanos e dos brasileiros: Apresentou 91 Requerimentos de Indicação em que sugere a outro Poder a adoção de providência, a realização de ato administrativo ou de gestão, ou o envio de projeto sobre a matéria de sua iniciativa exclusiva; Apresentou 74 Requerimentos em Plenário e nas Comissões das quais participa, versando sobre os mais diversos termas, tanto regimentais como de solicitação de Audiências Públicas ou de providências outras; Foi o Relator de 35 matérias que tramitaram pelas Comissões, aí incluídos Projetos de Lei e Concessões de Outorgas de Rádio e TV; Apresentou 07 Projetos de Lei sobre temas de interesse da coletividade; Elaborou 01 Relatório Final sobre Proposta de Fiscalização e Controle; Solicitou modificações no texto de Propostas de Emendas à Constituição e Medidas Provisórias por meio de 25 Emendas Apresentadas em Comissão; Apresentou 10 Emendas Ao Substitutivo, visando aprimorar proposições em tramitação na Câmara e 2 Emendas de Relator ; Ocupou a tribuna da Câmara 111 vezes, para tratar dos mais diversos assuntos, principalmente temas de interesse da Paraíba.

O deputado Rômulo Gouveia disse ainda que a prefeitura de Campina Grande deveria se preocupar em administrar bem o grande volume de recursos que recebe do governo federal: “Só em 2009, a PMCG recebeu de recursos orçamentários e extraorçamentários mais de R$ 50 milhões e R$ 40 milhões de FPM - Fundo de participação dos Municípios, afora outras receitas”. “É uma montanha de dinheiro”, disse Rômulo, “ Mas o que se vê na cidade são as obras ou paradas, como a da Av. Argemiro de Figueiredo ou com atraso na execução, como as obras do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento”. Rômulo Gouveia disse que “nada o fará arredar pé de seu enorme compromisso com Campina Grande e seu povo” e não “serão as “calúnias e mentiras” que irão deslustrar mais de 20 anos de vida pública”. Ele, que se encontra em Brasília tratando de assuntos do interesse de vários municípios, disse desejar para 2010, “Um ano de mais trabalho e benefícios para Campina Grande e toda a Paraíba, que, infelizmente, não estão vivendo um bom momento político-administrativo”, concluiu.

26/12/09

RÔMULO GOUVEIA MANDA O PREFEITO VENEZIANO CUIDAR DA PRÓPRIA VIDA

Deu no Paraíba Online, sob a manchete "Rômulo: Prefeito não pode nos monitorar sobre os benefícios para Campina":

Em entrevista concedida ao Jornal da Manhã da Rádio Caturité neste sábado (26), o deputado Rômulo Gouveia (PSDB) retrucou o comentário do prefeito Veneziano Vital (PMDB) no qual, o peemedebista disse que muitos dos deputados que foram eleitos com votos de Campina Grande, não destinaram benefícios para a cidade.

"Não é o prefeito que vai nos monitorar ou dizer qual a melhor forma de apresentar. Eu daria um recado a Veneziano: que ele vá cuidar das suas ações administrativas, pois a prefeitura de Campina tem muitos problemas e dificuldades. Vá cuidar da sua administração que a minha atuação parlamentar cuido eu. E somente quem pode me julgar é a população", declarou Rômulo.

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Estará certo o deputado Rômulo Gouveia? Entendo que não. Veneziano, de fato, deveria evitar polêmicas deste tipo, porque nem mesmo é o momento para exploração política de temas como o desempenho de parlamentares em favor de Campina Grande. Tem quem o faça, tem quem reverbere as críticas sem que, necessariamente, o próprio prefeito tenha que fazê-lo.

Por outro lado, entretanto, embora possa parecer um paradoxo o que direi, o deputado Rômulo também não pode rechaçar nestes termos as críticas do prefeito. Seu comportamento, contudo, provavelmente evidencia a falta de uma justificativa plausível para sua postura em desfavor da cidade da qual por duas vezes já tentou ser prefeito. A base política e eleitoral de Rômulo é Campina, que não pode ser penalizada por conta de suas rivalidades com o prefeito. Isso é política e humanamente muito pequeno.

25/12/09

CONTO: 'NATAL NO RECANTO DE UM SERTÃO'

O dia mal começara a clarear, e Damião sentiu o conhecido sacolejo de todas as manhãs nos punhos da rede. Algumas vezes estava sonhando, quando era, assim, bruscamente trazido de volta à realidade, despertando meio confuso, até conseguir separar o sonho de instantes antes com o raiar de mais um dia da sua vida. A voz grave e cheia de autoridade do pai tratava de desestimular qualquer tentativa de um cochilo a mais.

- Acorda, Damião! Tá na hora de ir pro roçado!

Levantava depressa, calçava as velhas alpercatas e dobrava a rede. Não havia necessidade de trocar de roupa, afinal, aquela com que dormira seria a mesma de trabalhar. Dezembro quente, a camisa molhada de suor, mas nem pensava em dormir sem ela, para que o anjo da guarde não desaparte, conforme rezavam as lições que aprendera com a mãe. Na cozinha, encontra o pai já sentado tomando um copo de café e fumando um cigarro de fumo-de-rolo, e a mãe abanando o fogão a lenha. Estende a mão esquerda:

- A bença, mãe; a bença, pai...
- Com essa mão, pagão? Quantas vêis já te falei? Vai ficar homi barbado sem aprender que quem pede bença com a mão esquerda é pagão?

Damião, encabulado, corrige o gesto, e enfim ouve o “Deus te abençoe” dos pais. Destampa o pote, pega o caneco, enche de água, com uma parte lava o rosto e bebe o restante. Não se fala em escovar os dentes, muito menos em creme dental. Pentear os cabelos não precisa, porque o corte deixa baixinho, quase careca, à moda local, pra combater os piolhos.

- Bora cumer, e debandar pra roça que aquele mato tá com a gota!, ordena o pai. – Chega cumer!

Damião senta-se no tamborete feito de pau de angico, e engole rápido um prato de cuscuz com leite e um copo grande de café. Comida de sustança pra agüentar o rojão do campo. Seus irmãos, mais velhos, também terminam o café. As irmãs ajudam a mãe nos afazeres da casa. São oito filhos no total, e deveriam ser doze, não fossem os quatro anjinhos enterrados no cemitério ali perto. Finda a primeira refeição do dia, o sol já está claro, e cada um dos rapazes pega sua enxada, seguindo o pai em fila indiana pelo caminho estreito no rumo do pequeno roçado.

Damião tem as mãos grossas, cheias de calo. Mas encontra-se bastante acostumado com a labuta diária. Antônio, seu irmão mais velho, questiona:
- Pai, a gente vai trabalhar o dia todim?
- Pru quê?
- Nada, porque hoje né dia de natal, né? Na cidade né inferiado?
- Oxe, deixe de vadiagem! O povo da cidade é morto de priguiça. Vamo trabaiar o dia todim, sim, sinhô!
- É que eu pensava que era dia santo...
- Santo é todo dia! Isso é bestera de tua mãe.
- Será que ela vai pra missa de noite? Eu posso ir... né a missa do galo, né?
- Ela deve ir. Eu num vô. E eu sei qual é a missa que tu quer assistir lá. Mas vai, já tás cavalo véi mermo. Só num me arrume encrenca nem chegue em casa bebo. E amanhã de manhã tem serviço!

José e Raimundo, idades próximas ao irmão mais velho, se animam:

- Pai, o sinhô deixa a gente ir com Toin?
- Eita! Vão, mas já sabem, né?

Damião fica quieto. Não pensa em pedir para ir também, afinal, sabe que não pode. Não tem idade pra isso. Tem apenas dez anos. Não estuda porque a escola é longe demais e precisa ajudar o pai. Precisa arrancar mato, cavar lerão, plantar maniva de macaxeira. Não tem certeza do que venha a ser aquela data:

- Pai, o que é natal?
- É o dia em que nasceu nosso sinhô.
- Ah...

Observando a seca caatinga, segue seu caminho, mãos que não sabem formar letras, mãos que não têm tempo pra brincar, mãos de um menino, mãos hábeis na enxada com cabo adaptado para o corpo franzino. Naquela noite não haverá ceia especial, não haverá peru, nem árvore de natal, nem presentes. Não se verá meia na janela, afinal, quem não tem sapato vai ter meia? Papai Noel não é esperado. Espera-se é chuva, pra que não falte a farinha, o feijão, o cuscuz, o leite, o dinheiro para a charque, a água no pote. Para que as mangueiras, goiabeiras e jabuticabeiras tenham boa safra, e Damião possa pendurar-se em seus galhos e fartar-se com seus frutos doces. Quem sabe o Deus-menino que nasceu naquele dia ajude para que isso possa acontecer? É só o que Damião deseja. É um feliz natal.

Lenildo Ferreira

24/12/09

VITALZINHO RESPONDE: "MINHA ATUAÇÃO OCORRE NÃO APENAS PELO FATO DE TER UM IRMÃO NA PREFEITURA"

Recebi e-mail, assinado pelo deputado federal Vital do Rêgo Filho (PMDB), respondendo a questionamento que fizemos na postagem anterior, quando repercutimos a informação de sua assessoria de que foi ele o único dos deputados federais com votação substancial em Campina Grande a destinar emenda para a cidade, e indagamos se seria essa sua postura caso o prefeito não fosse seu irmão, Veneziano. Assim, publico a seguir o conteúdo do e-mail:

Sobre o seu último comentário, abordando a postura dos deputados federais votados em Campina Grande e os posicionamentos em relação ao OGU 2010, queria que você registrasse, se possível, que nossa atuação aqui em Brasília é direcionada a Campina Grande, onde fomos extremamente bem votados, e também a outros municípios do estado. E, graças a Deus, Campina tem hoje um prefeito comprometido com o povo, que trabalha para fazer dela uma cidade cada vez melhor, como tem feito. E sinto muito orgulho de estar participando deste momento histórico de Campina.

Minha atuação ocorre não apenas pelo fato de ter um irmão na Prefeitura. Como você sabe, fui muito bem votado em vários municípios do Estado e vou citar o exemplo de um deles, que nem fica aqui na região de Campina Grande, para que você possa saber como tenho me portado em Brasília, independente de o prefeito ser ou não meu irmão: Princesa Isabel.

Eu tenho atuação política em várias cidades próximas a Campina, a exemplo de Aroeiras, Alagoa Nova, Gado Bravo, Cabaceiras... mas fui escolhido por Princesa Isabel para representá-la em Brasília, mesmo sendo distante de Campina Grande, e tenho procurado fazer o máximo pelo município.

Vamos aos números: nos últimos 12 anos, Princesa Isabel recebeu aproximadamente 9 milhões em recursos federais, para investimentos diversos. Nosso mandato foi responsável por nada mais, nada menos, que R$ 7,9 milhões, desse montante.

Foram R$ 3,8 milhões para Sistema de Esgotamento Sanitário, via Funasa; R$ 500 mil para investimento em melhorias sanitárias domiciliares; R$ 1,3 milhões para obras de abastecimento d’água; R$ 45 mil para o programa Água na Escola; além de repasses para a instalação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) - que hoje funciona provisoriamente em um prédio da cidade, mas que está com as obras de seu prédio próprio em andamento; a instalação de dois telecentros comunitários na cidade; instalação de Internet Banda Larga nas escolas estaduais e municipais da cidade; o credenciamento para os Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASFs; implantação de Unidade Básica de Saúde da Família (R$ 200 mil); mais R$ 880 mil de verba do Orçamento Geral da União - OGU; mais R$ 150 mil do Ministério do Turismo, para a realização de eventos turísticos; e R$ 230 mil para a aquisição de uma Patrulha Mecânica.

Um abraço, sempre à disposição,
Vital do Rego Filho

23/12/09

DEU NO PORTAL DE VITAL DO RÊGO FILHO: DOS DEPUTADOS VOTADOS EM CAMPINA, SÓ ELE DESTINOU EMENDA À CIDADE

Deu no portal de Vitalzinho:

Dos parlamentares que obtiveram votação significativa em Campina Grande nas eleições para deputado federal em 2006, apenas o deputado Vital do Rego Filho (PMDB-PB) direcionou suas emendas para a cidade, em relação ao Orçamento Geral da União – OGU 2010. A constatação está no relatório concluído nesta segunda-feira (21) e que irá a votação ainda esta semana.

Segundo os dados, divulgados no final da noite desta segunda no portal da Câmara dos Deputados (www.camara.gov.br), Vitalzinho direcionou a Campina Grande a sua emenda, no valor de R$ 22 milhões, propondo aplicação em “Infra-estrutura Urbana” (pavimentação com paralelepípedo e asfalto).

Os demais parlamentares que obtiveram votações me Campina Grande simplesmente ignoraram a cidade, propondo investimentos em outros municípios ou deixando a verba em aberto. Com base no relatório final das emendas dos parlamentares, o levantamento aponta o seguinte quadro:

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Isso é uma vergonha! Das grandes! Atitudes típicas da nossa politicagem. Penaliza-se a cidade, as pessoas, em nome de interesses pessoais. A única pergunta que faço é a seguinte: se o prefeito da Cidade não fosse o irmão de Vitalzinho, ele teria a mesma postura? Vejam, é uma pergunta, não uma afirmação. E uma pergunta necessária.

22/12/09

ÉRICO FEITOSA REBATE DECLARAÇÃO DE NELSON JÚNIOR DE QUE TERIA RECEBIDO 'VOTOS DE PROTESTO'

Venho, pelo presente, comparecer ante aqueles que fazem o Jornal da Cariri, matutino de grande audiência em Campina Grande e região, a fim de, sucintamente, responder afirmações feitas na edição de ontem deste noticiário pelo presidente do PSOL na Paraíba, senhor Nelson Júnior, que, na ocasião, desqualificou os 5.516 votos a mim confiados nas eleições para prefeito, ocorridas no ano passado, classificando-os como "voto de protesto", por, segundo ele, não existir de minha parte um efetivo plano de governo para Campina Grande. Embora seja de nosso espírito evitar contendas infrutíferas, pelo bem da verdade, considere-se o que se segue:

1. Repudio veemente a absurda tese do senhor Nelson Júnior de que os 5.516 votos concedidos à minha candidatura possam ser classificados como voto de protesto. Esse tipo de voto é dado a candidatos considerados excêntricos e/ou folclóricos, como manifestação de insatisfação com o sistema político e desconsideração aos demais candidatos. Não foi, certamente, o caso dos sufrágios concedidos à chapa do PHS. Pelo contrário, este foi um voto esclarecido, sóbrio e consciente, de uma considerável parcela do eleitorado campinense que não aceitava a polarização entre duas candidaturas que representavam o continuísmo administrativo para a Cidade. Tal afirmação demonstra desconhecimento político por parte do presidente estadual do PSOL, bem como evidente falta de respeito pelos eleitores que não seguem sua legenda;

2. É igualmente repudiável sua afirmação de que não dispúnhamos de um programa de governo para Campina Grande. O eleitor há de recordar-se dos debates, do guia eleitoral, das sabatinas de que participamos. E há de se lembrar da participação do PSOL nestes mesmos eventos, cujos representantes, estes sim, jamais apresentaram propostas efetivas, coerentes e, sobretudo, viáveis. Aliás, pouco expuseram de propostas, limitando-se continuamente à declamação de seus mantras fundamentalistas, copiados de manuais de extrema esquerda, numa enfadonha repetição de imprecações contra o imperialismo, o capitalismo, e afins, acusações contra tudo e todos e consequente exaltação de seus nomes como verdadeiros messias socialistas. Enfim, um lenga-lenga que, há muito, nosso eleitorado rechaça com veemência, conseguindo eles apenas angariar os votos daqueles que - dignos de nosso mais profundo e democrático respeito - partilham das mesmas teses;

3. Por conseguinte, excetuando-se os votos de simpatizantes da legenda presidida no Estado pelo senhor Nelson Júnior, restou ao grupo deste, numa campanha sem qualquer proposta e com discurso mais que excêntrico, o verdadeiro destino dos votos de protesto dos campinenses, os quais, ainda assim, foram certamente poucos, porque o eleitorado desta Cidade, nem mesmo em atos de protesto costuma pactuar com discursos extremistas.

Cordialmente,

Érico Mota Feitosa
(presidente do PHS em Campina Grande)

20/12/09

DINHEIRO PÚBLICO É TORRADO EM FORMA DE PROPAGANDA NA POBRE PARAÍBA


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DINHEIRO PÚBLICO

Alguém já viu, nestas terras paraibanas, um derrame tão impressionante de dinheiro público em forma de propaganda governamental como a que acontece atualmente? É muito dinheiro. Segundo o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP), relator do orçamento 2010, em apenas dois meses foram torrados cerca de R$ 18 milhões.

DIZ O RELATOR

“O governo descarta a possibilidade de aumento, mas esquece que gastou cerca de R$ 18 milhões em publicidade somente nos últimos dois meses, quando, se tivesse aplicado este montante em casas populares, poderia ter beneficiado pelo menos mil famílias. Há, nesse governo, uma preocupação excessiva com alguns setores, como a comunicação. É um verdadeiro descaso com relação à valorização do funcionalismo público”.

ABSURDO

Em um Estado pobre, como a Paraíba, não se concebe um absurdo de tal ordem. Aliás, não se conceberia em nenhum lugar do mundo. Na comparação do relator, o montante usado para propaganda do governador candidato à reeleição daria para construir cerca de mil moradias. Isso quer dizer que mil famílias que vivem de aluguel ou mesmo em barracos poderiam hoje ter sua casa própria, mas, ao invés disso, Maranhão investe na sua própria imagem.

MÍDIA TOTAL
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Rádio, televisão, internet, jornal... Tudo está tomado pela sanha publicitária do nosso Governo. Até mesmo uma revista, extremamente bem acabada, de produção certamente caríssima, tem sido publicada. Passam nas casas jogando a revista, geralmente dois exemplares de uma vez. É o dinheiro que poderia socorrer os miseráveis sendo jogado em nossos jardins. A publicação, por sinal, sequer traz os números da tiragem. Uma vergonha!

CALA-BOCA

Quem vai denunciar esse escândalo? Não há espaço, simplesmente porque não há veículo. "Tá tudo dominado". Quem tocar no assunto corre o seríssimo risco de perder sua parte neste quebra-panela. Mesmo em canais pertencentes a adversários políticos o Governo investe pesado. Aí, quem vai poder falar?

SUJOS E MAL LAVADOS

É preciso dizer que esse tipo de expediente não é prática exclusiva da gestão atual na Paraíba. Muitíssimo pelo contrário. Agora, proporcionalmente, é uma torração campeã.

ATÉ QUANDO?

A legislação no Brasil, neste sentido, é permissiva, imoral e criminosa. O que o Governo do Estado faz é lastimável, mas não incorre em qualquer ilegalidade. O problema é que a Justiça, nesse País, é uma piada. Não há poder mais desmoralizado nesta Nação que o judiciário.

ONDE ESTÃO OS ACUSADORES?

Impressiona-me o silêncio de quem até poderia falar. Cássio Cunha Lima, enredado nos seus problemas com Cícero Lucena, vem perdendo a oportunidade de denunciar a queima de dinheiro público em forma de propaganda. Até o fez, mas poucas vezes. Ricardo Coutinho tem brigado com Maranhão por conta de viaduto e reveillón e, mesmo acusando o uso da máquina, não tem dado o destaque que seria devido.

NO MAIS, SILÊNCIO

Se Cássio, Coutinho e outros adversários de José Maranhão não atacam, quem vai fazê-lo? É fácil demais para as pessoas atacarem os jornalistas, que silenciam. Mas, venham viver na pele de jornalistas. E a feira no fim do mês? E as contas a pagar? E os filhos para sustentar? Primeiro, se denunciam tais desmandos, microfones são cortados e textos deletados. Vão para o olho da rua e o Estado continuará fazendo quanta propaganda queira.

É UMA ESPÉCIE DE DITADURA
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Sim. É uma espécie de ditadura. Vocês pensam que vivemos em uma democracia? O que existe neste País está longe demais de ser uma democracia. Ocorre que votamos em nossos próprios ditadores, mandamos pela via do voto nossos algozes para o poder. Mas somos massa e, por isso mesmo, manipuláveis. Quem está no poder não trata o povo como "detentor do poder", conforme preconiza o sistema democrático. O povo (nós) só é bajulado em tempo de eleição mesmo e, qual mulher que apanha do marido e não consegue largá-lo, sempre cai na conversa fiada de novo. Depois, abuso, autoritarismo.

EXEMPLO
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Tanto é ditadura que muitos morrem de medo das chamadas autoridades políticas. O servidor morre de medo do Governo (não apenas Maranhão, qualquer um), porque se abrir a boca para falar mal leva pau. É transferido, perseguido, tem gratificação cortada, sofre processo, o diabo. O jornalista treme de pavor, porque se falar o que tem na consciência, morre de fome. Quem vai ser o herói?

18/12/09

REALIZAÇÕES 2009: ASSOCIAÇÃO CAMPINENSE DE IMPRENSA

Durante o Jornal da Cariri de hoje, o jornalista João da Paz, assessorando a Associação Campinense de Imprensa, ligou para falar sobre a festa de confraternização da entidade, que ocorre no fim de semana. Foi-lhe perguntado, então, qual o balanço que faz de 2009 para a ACI. Ele respondeu que foi um ano bastante positivo, de muitas realizações, e citou como exemplo a compra de um jazigo, para ser disponibilizado aos sócios.

Em off, a risada foi inevitável, claro. Apesar da relevância do investimento, é evidente que a aquisição não é lá algo que, digamos, encha os olhos, e nem tampouco empolgue os sócios da ACI num balanço de fim de ano. Tanto é que ninguém quer inaugurar.

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Josusmar Barbosa, o Manso, colega nosso no Jornal da Cariri, esclareceu-nos que, além do jazigo, também foi adquirido um data-show, igualmente disponível aos sócios.

17/12/09

BARACAFUSADA SOCIALISTA


Vá entender uma coisa destas. No Estado, o PSB e o PMDB são agora ferrenhos adversários, com Ricardo Coutinho e José Maranhão já discursando - há muito - como candidatos, e até lavando publicamente roupas sujas. Até aí, tudo bem, coisas da volúvel constituição de parcerias políticas. O danado é em Campina Grande.

Com a ida da ex-tucana Ivonete Ludgério para o PSB, a legenda passou a viver uma confusão das maiores. Tendo dois vereadores, um é líder da bancada de oposição ao prefeito Veneziano Vital (PMDB), a própria Ivonente, e o outro, Antônio Pereira, é vice-líder da bancada de situação. Como o líder, Fernando Carvalho (PMDB), deve deixar a função para dedicar-se a campanha para a Câmara Federal, o PSB pode viver a absurda situação de ter os líderes das duas bancadas, oposição e situação.

Para piorar, Pereira já anunciou que apoia Ricardo Coutinho, seu correligionário, para o Governo do Estado. Ou seja, Veneziano pode ter um líder que apóia o principal adversário de José Maranhão, peemedebista como o prefeito e, claro, lógico, seu candidato ao Governo. Pense numa confusão! Coisas de uma política marcada pelo oportunismo e total ausência de valores.

16/12/09

OS NOVOS AMIGOS DE ZÉ

Deu em A Palavra Online, sob o título "Zé, ao lado de ex-inimigos em CG, diz que político gosta de mentir para jornalista" e, com certeza, vale a pena republicar aqui, com a devida licença de Marcos Marinho. Até porque, caros amigos, isso é o que se pode chamar de registro de um momento (e de uma realidade) histórica. Como diria Zé Cláudio, "vamos à matéria":

Abraçado e seguido em todos os momentos pelos seus mais ácidos críticos na mídia campinense nos últimos anos, todos indistintamente aparentando serem os seus mais "novos amigos de infância", José Maranhão (PMDB) circulou com invulgar desenvoltura sábado último nos salões do La Costa, o amplo espaço de eventos do ex-vereador tucano Ivan Batista em Campina Grande - também ele hoje um fiel correligionário e seguidor do governador - durante a festa patrocinada pelo Governo do Estado para comemorar com a imprensa e lideranças do Compartimento da Borborema o período natalino.

O pesado e inusitado "clima" que chegou a constranger alguns dos chamados aliados de primeira hora de Maranhão foi amenizado pelo próprio governador com um pronunciamento curto na hora em que João Pinto e Adelci Fernandes, organizadores do encontro, chamaram-no para agradecer a presença dos convidados.

- "Vou falar pouco, pois sei que jornalista só gosta de entrevista e odeia discurso", quebrou o gelo ao considerar que a festa, por ser informal, fazia parte do seu próprio modo de vida. "É o tipo de atividade que eu faço todos os dias e todas as horas durante a minha vida pública", explicou o governador.

Sob as vistas atentas de Massilon Gonzaga, mixto de forrozeiro, dono de rádio comunitária e homem de proa da era Cunha Lima; de Abílio José, esfuziante locutor de palanques do grupo adversário do Governo e apresentador que na própria festa fazia questão de explicar-se um "profissional" nem ‘limista’ nem ‘maranhista’; de Ubiratan Cirne, especial fã do bi-cassado Cássio Cunha Lima; de Celino Neto, ardoroso cronista social com DNA ‘limista’ hereditário; de Juarez Amaral (ao lado, com Zé), o radialista que mais chacotas fez de Maranhão ao longo dos últimos 10 anos, em serviço ao grupo adversário do governador atual, Maranhão mostrando mansidão chamou à sua culpa eventuais discrepâncias. "Eu digo sempre: quando um político está raivoso com um jornalista ele está no caminho errado". E explicou, em detalhes para lá de didáticos, que mesmo criticado o político precisa ter humildade "para saber fazer do limão uma limonada".

Na ponderada filosofia maranhista justificadora desse encontro com os inimigos da imprensa "a crítica merece sempre a oportunidade e o espaço para que possamos dar a nossa versão e desnudemos os fatos que, muitas das vezes, não são retratados com fidelidade porque faltava o conhecimento exato ao jornalista e/ou ao periódico e a revista".

15/12/09

"MARANHÃO, O FILHO DA PARAÍBA"

Em ano pré-eleitoral, nova moda está surgindo. Nacionalmente, repercute o filme "Lula, o filho do Brasil". Nestas terras paraibanas, por sua vez, está sendo lançado o livro "José Maranhão: Uma Vida de Coerência", escrito pelo jornalista Gonzaga Rodrigues e pela professora Ângela Bezerra de Castro. Se a moda pega, não vai ter biblioteca no mundo em que caiba tanta produção.

14/12/09

ENTREVISTA: LUIZ BARBOSA AGUIAR

"A gente não vive liberdade de imprensa
coisa nenhuma"

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Luíz Barbosa Aguiar, jovial do alto dos seus 64 anos, é uma figura emblemática do Jornalismo Paraibano. Filho de uma professora primária e um pequeno negociante de gado, é do tempo em que apenas os filhos dos ricos podiam dedicar-se a um estudo que fosse além da alfabetização. Foi seminarista salesiano e, por pouco, não se tornou um padre. “Hoje, talvez eu já fosse cardeal”, sorri. Mas, por um anúncio no Diário da Borborema , descobriu a paixão pelo Jornalismo. E já são décadas de boas histórias para contar. Mas, o professor Aguiar, figura respeitada e querida da Faculdade de Comunicação Social da UEPB, onde é coordenador, não é daqueles que andam falando de si. Prefere as conversas amigáveis, as anedotas imprevisíveis e divertidas e o tratamento respeitoso para com alunos e professores, ambos gentilmente chamados de “colegas”. Talvez por isso muitos daqueles que convivem diariamente com ele, não saibam que estão ao lado de uma figura cuja história confunde-se com a própria trajetória do Jornalismo na Paraíba.
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O senhor é formado em Direito e Economia. Como foi parar, assim, no Jornalismo?

Em 1967, fui atraído por um anúncio no Diário da Borborema: “Precisa-se de repórter”. Eu era um curioso, gostava de rádio, de jornal, e me candidatei à vaga. Aí fui ser foca, auxiliando o repórter Fernando Valack, que foi quem implantou o jornalismo policial especializado em Campina. Naquele tempo, era assim, o jornalista era formado dentro da redação, começava como foca, cada profissional tinha um foca, que ia aprendendo com ele, até que estivesse apto a passar a escrever suas próprias matérias. Fiquei sendo foca até o dia em que Valack tomou uma cana grande e não pode fechar a página, e tive que fazê-lo. Foi esse o meu batismo, confesso que tremi nas bases.

A Economia e o Direito são profissões que, naquela época principalmente, gozavam de maior prestígio e poderiam ter lhe trazido maior retorno financeiro. Que paixão foi essa que lhe prendeu ao Jornalismo?

Sempre digo que, apesar de hoje existirem as faculdades, Jornalismo é um dom, com o qual você já nasce. Na faculdade, a pessoa apenas aprimora, conhece as técnicas. Mas as faculdades não fazem jornalistas, porque o sujeito tem que nascer jornalista. Não me arrependo da escolha que fiz, e se estivesse começando hoje, faria tudo de novo, agora com a vantagem de ter uma escola para me ensinar algumas coisas que tive que aprender já no batente, no dia a dia.

Como foi sua trajetória dentro do Diário da Borborema?

Quando me deparei com o fato de estar dentro do Diário, comprei um livro de Natalício Norberto, chamado Jornalismo sem mestre, e fui estudar o que era o jornalismo. Descobri-me dentro daquilo que eu gostaria de fazer da vida. Daí para a frente as coisas aconteceram gradativamente. Após três ou quatro meses como foca, passei a repórter, depois chefe de reportagem, o que já foi uma grande conquista, em seguida secretário de redação, editor, diretor comercial e, finalmente superintendente do Diário. Foi nesse tempo que ingressei na luta de classe, fui titular da delegacia do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba em Campina Grande, participei de congressos no Brasil inteiro, e até cheguei a ser preso em Alagoas, durante um desses congressos.

De que modo aconteceu sua entrada na vida acadêmica?

Nós, que estávamos no batente, fomos beneficiados pela lei que regulamentou a atividade profissional de jornalista, em 1967, que determinava que aqueles que exercessem o Jornalismo até dois anos antes da promulgação da lei, seriam considerados profissionais, era o direito adquirido. Antes da regulamentação, o Jornalismo não era profissão, era um ofício, uma coisa quase romântica. Assim, uma vez regulamentados, nós mesmos começamos a sentir a necessidade de uma faculdade de Jornalismo aqui. E começamos reuniões para encetar essa idéia, dentro das próprias redações, onde jornalistas como Jusumar Viana, William Tejo e Ismael Marinho foram os grandes defensores da causa.

Conseguimos o que desejávamos, e um curso prático de Jornalismo, a primeira grande iniciativa para abertura de uma faculdade de Comunicação na região, começou dentro do Departamento de Filosofia da Furne. A universidade contratou professores de Natal e do Recife, que ministraram para aquelas pessoas que já atuavam na área. Tenho o prazer e o carinho de ter em casa o diploma, porque participei da primeira turma desse curso. Anos depois o curso de Comunicação Social estava estruturado e, como a Lei das Diretrizes e Bases da Educação permitia que profissionais lecionassem nas faculdades, os primeiros professores não eram catedráticos, até porque aqui mesmo não tinha, mas sim profissionais. Assim foi que entrei, para ministrar Legislação e Ética, já que eu também era formado em Direito.

Estando há tanto tempo na vida acadêmica, como avalia a qualidade da formação que os jornalistas recebem nas faculdades paraibanas, UEPB, UFPB e FIP?

Se a gente for apontar, as deficiências são gritantes, por conta da própria evolução e da cobrança do mercado. Mas, mesmo assim, temos espalhados pelo Brasil inteiro profissionais gabaritados, que saíram daqui da Paraíba. Pessoas que já tinham o dom do Jornalismo, e que nas faculdades apenas aperfeiçoaram-se. É bem verdade que há outros que nem deveriam ter passado por aqui por perto, porque não tinham nada a ver com a coisa. Por isso, pode parecer paradoxal, mas defendo que deveria haver para a Comunicação uma pré-seleção, para coibir a entrada de tantas pessoas que entram no curso acidentalmente, apenas porque querem um diploma. Aliás, isso reporta àquela velha discussão da exigência do diploma, que habilita a pessoa, mas não qualifica; dá a habilitação legal, mas, só o fato de o sujeito ter um diploma de jornalista, não quer dizer que ele seja jornalista.

Mas o senhor é a favor da exigência do diploma?
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Com certeza, porque ele habilita a pessoa. Assim como para ser motorista não basta saber dirigir, por melhor que se dirija, mas tem que possuir a habilitação de um órgão idôneo para isso, do mesmo modo é no Jornalismo. O cara sai por aí dizendo que é jornalista, mas quem o habilitou para isso?

O senhor viveu dentro da redação os anos de repressão da ditadura militar. A gente sabe como era a repressão no País, mas, aqui na nossa região, essa realidade opressora era percebida no dia a dia das redações?

Com certeza. Nós vivíamos sempre em constante estado de tensão, vendo a hora a redação ser invadida por uma patrulha do exército e algum de nós levado para ser interrogado. Eu mesmo fui umas seis vezes ao quartel, por conta de tolices. Uma vez, por exemplo, prenderam aqui um ladrão de carros, chamado Charita, e na matéria que escrevi sobre esse sujeito, tinha uma passagem que informava que ele cultivava em casa alguns pés de maconha. Por causa disso fui levado ao quartel, e me disseram que não deveria ter dado essa informação porque estaria fomentando o uso e o cultivo de drogas por outros jovens.

Quando eu era gerente comercial do Diário, um cidadão colocou um aviso que queria vender uma espingarda, nesse tempo qualquer pessoa podia possuir uma espingarda em casa. Pois não é que um camarada aqui do exército entendeu que aquilo era um código para os comunistas se comunicarem? E, por causa disso, fui levado retido até que o homem do anúncio apareceu, um agricultor pobre, que queria vender a espingarda porque a mulher estava doente. Além disso, por exemplo, o nome do bispo de Campina Grande não podia ser veiculado no jornal, não podia se falar de dom Hélder Câmara. Marcos Tavares uma vez foi levado ao quartel porque ia haver um show de Chico Buarque e Marcos publicou isso, sendo que também era proibido falar de Chico Buarque. Freqüentemente recebíamos listas com nomes de pessoas que não podia ser noticiadas. Sempre havia um censor dentro da redação. Tinha um certo Major Câmara, de triste memória, que era uma verdadeira besta-fera aqui em Campina Grande.

No contraponto desse quadro, hoje vivemos um estado democrático. Mas, na realidade paraibana, existe efetivamente liberdade de imprensa ou uma mera liberdade de empresa?

A gente não vive liberdade de imprensa coisa nenhuma. Temos aqui é uma pantomímica, um faz de conta que é, mas que não existe essa liberdade de imprensa. O que há é essa liberdade de empresa. Empresas essas que, aliás, não são dirigidas por empresários da comunicação, e sim empresários de outros ramos, que usam os meios de comunicação para interesses próprios, com honrosas exceções... se bem que nem sei quais são essas exceções que possa citar. Isso torna muito difícil a realidade do comunicador, por isso costumo dizer que o camarada, para ser jornalista, precisa ser muito mais ético que antigamente.

Se essa liberdade nunca existiu, hoje vejo que está pior ainda, porque a informação tornou-se exclusivamente uma mercadoria, direcionada conforme os interesses das empresas de comunicação, e do próprio poder estabelecido. Antigamente a interferência financeira dos governos era diminuta, menos mesmo que a venda avulsa, diferente de hoje. Veja-se o caso das rádios comunitárias, que estão nas mãos dos políticos, e que se não se deixarem ser um instrumento de manipulação, são fechadas. Eu sei que há essa liberdade constitucional, mas na prática, que liberdade é essa?

Há uma expressão, atribuída como de sua autoria, que impregnou-se na memória daqueles que foram seus alunos: ética da barriga. O que é a ética da barriga?

Epicuro disse que a ética é uma questão pessoal, que você pode viver em um mundo anti-ético, e mesmo assim ser ético. A ética da barriga é o seguinte: nós, comunicadores, temos ideais éticos que são inerentes a nossa personalidade, entretanto, muitas vezes, no mercado de trabalho, nos deparamos com uma realidade contrária àquilo em que acreditamos, que fere nossa convicções. Mas temos que sobreviver, e por isso assinamos um contrato de trabalho com uma empresa que tem posições contrárias as nossas, e fazemos nosso trabalho seguindo a linha editorial dessa empresa, sem que isso fira minhas convicções. Afinal, somos profissionais, e temos que trabalhar para sobreviver.

O senhor é daqueles que sonham com a aposentadoria ou pretende ficar como um decano da faculdade de Comunicação Social da UEPB?

Vou lhe dizer que pretendo resistir até o fim. Enquanto eu tiver energia e disposição para aprender – nunca digo ensinar, porque a gente aprende junto, num processo de simbiose que se dá em sala de aula – vou ficando por aqui, porque ainda há muita coisa para aprender.
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NOVIDADE NO BLOG

Vamos criar aqui no blog um espaço para uma das minhas maiores paixões: entrevistas. Os temas serão os mais variados. Para começar, recupero uma ótima conversa com o professor Luiz Barbosa Aguiar. Aliás, vou republicar algumas boas entrevistas da época do blog Jornalismo Paraibano.

Sugestões de eventuais entrevistados são bem-vindas.

13/12/09

HOJE É ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DE LUIZ GONZAGA, O GRANDE REI DO BAIÃO

Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, no dia 13 de dezembro de 1912, e morreu no Recife, a 02 de agosto de 1989. Morreu o homem, ficou sua obra, eterna, emblema da verdadeira cultura nordestina. No vídeo acima, canta a belíssima Asa Branca, em companhia de outros dois grandes personagens, Sivuca e Fágner.

12/12/09

SEMANAL



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CAIXA POSTAL

O suplente do tucano Cícero Lucena no Senado, Carlos Dunga (PTB), resolveu anunciar logo o rompimento entre os dois. Segundo Dunga, várias tentativas de contato com Cícero falharam, já que o senador não atendia o celular, nem tampouco se dava ao trabalho de retornar suas ligações.

MEDIAÇÃO FRACASSADA

Carlos Dunga teria tentado até o apoio do deputado estadual Ruy Carneiro, intermediando um contato e, mesmo assim, nada. Restou ao petebista a raiva pela desconsideração, o anúncio do rompimento e consequente apoio a Ricardo Coutinho.

NÃO DE GRAÇA, CLARO

Dunga quer ser vice. O deputado federal Armando Abílio parece ter chegado a bom termo com Ricardo Coutinho, já que seu genro, Leonardo Abrantes, foi nomeado para adjunto na Secretaria da Transparência na prefeitura da Capital. O que, porém, é só a primeira retribuição. Se eleito, Coutinho se comprometeu, claro, a oferecer maior espaço ao PTB em seu governo, com cargos no primeiro escalão.

UM POR UM

O problema é que Abílio e Dunga, embora do mesmo PTB, precisam ser abordados e atendidos em separado. Assim, mesmo que Ricardo Coutinho tenha conseguido amansar o primeiro, precisa dialogar com o segundo.

FALTA ESPAÇO

A conta não fecha. Para apoiar o prefeito pessoense, o PP, de Enivaldo Ribeiro, quer Ney Suassuna numa das vagas da disputa ao Senado. Cássio Cunha Lima, ficando com o Mago, teria a outra vaga. Mas ainda há o senador democrata Efraim Moraes, que seria candidato natural à reeleição ou, pelo menos, a vice de Ricardo. Assim, onde entraria Dunga?

E A NOVELA PSDB?

Sinceramente, essa indefinição já está passando dos limites. Novela sem fim, os personagens fazendo mistério, evitando a imprensa. Bom seria que todos nós deixássemos o assunto completamente de lado. Assim, quem sabe, eles não se resolvem, finalmente?

E O PMDB?

O governador José Maranhão quer Veneziano para vice. Ou Vitalzinho. Mas os dois andam manifestando apreço ao atual vice, o petista Luciano Cartaxo, o que indica desinteresse de ambos à proposta.

PUDERA

Nem para Veneziano, nem para Vitalzinho é bom negócio esse negócio de vice. Para os dois e para o PMDB, o melhor seria o prefeito campinense candidato a governador. Como Zé não deve abrir mão, o caminho seria Vitalzinho na disputa ao Senado e Veneziano cumprindo seu mandato. O futuro é perto.

PHS

Érico Feitosa, presidente do diretório campinense do partido, candidato a prefeito da Cidade em 2008, confirmou que é pré-candidato ao Governo do Estado. E poderá não ser apenas um nome a mais. Apesar da polarização da disputa, assim como ocorreu na eleição passada, Feitosa tem tudo para abocanhar uma considerável parcela do eleitorado, aqueles que não vão de Maranhão, Cícero, nem Ricardo.

PB AGORA

Conforme já foi avisado aqui, iniciamos nossa participação no PB Agora. Como quem chega em ambiente novo deve ir entrando de levinho, gradativamente ocuparemos nosso espaço opinativo no portal de Fábio Targino com novidades que, acredito, terão bom efeito. Aguardemos.

11/12/09

NOVIDADE: ESTAMOS NO PORTAL PB AGORA


Fui convidado por Fábio Targino, diretor do PB Agora, para exercer a função de articulista no portal, tratando principalmente de temas ligados à política. Numa conversa franca, ele assegurou que, a despeito das notícias que circularam - e nós repercutimos aqui - o PB Agora não estaria se alinhando a nenhum grupo político. De fato, quando questionei a respeito de restrições editoriais, nenhum óbice foi apresentado.

Assim sendo, doravante este jornalista estará por lá também. Já estamos no ar. E, vale lembrar, continuamos na rádio Cariri AM, de segunda a sexta, das 7h às 9h e aos sábados, das 6h às 8h. Ah! O blog permanece com suas atividades normais. E, no ano novo, novas novidades virão!

TV PARAÍBA ESCORREGA FEIO AO TRATAR DE SEGURANÇA PÚBLICA

O JPB 1ª edição de hoje anunciou entrevistas com o comandante do II Batalhão de Polícia Militar, coronel Marcos Marcone, e com o superintendente de Polícia Civil, delegado Ariosvaldo Adelino de Melo, para tratar do crescimento do número de homicídios em Campina Grande no ano de 2009.

Assim que começaram as entrevistas, porém, o que se viu foi muito desconhecimento de causa por parte da produção do JPB. As perguntas eram mal feitas, deslocadas e, em dado momento, beiraram a ignorância. Foi dito, por exemplo, a Ariosvaldo, em tom de questionamento, que a população reclama da ausência da Polícia Civil nas ruas. Um pouco mais de esforço, e se saberia que não é atribuição da Polícia Civil o policiamento ostensivo.

Particularmente, duvido muito da desculpa de que a indagação foi ensejada pelo questionamento "da população", que, no geral, não conhece mesmo as minúcias das atribuições policiais, mas, exatamente por isso, não diferencia tanto quem está ou não está nas ruas, se PC ou PM. Para o povo, em geral, polícia é polícia.

Atribuo mais esse tipo de pergunta à generalidade que domina o jornalismo de televisão nestas terras, principalmente na TV Paraíba, com uma prática jornalística superficial, tacanha e, muitas vezes, fútil. Jornalismo bem feito não se faz de mera aparência e, muito menos, com preguiça.

10/12/09

LÍNGUA SOLTA: PRESIDENTE LULA LARGA PALAVRÃOZINHO EM MAIS UM DISCURSO EMPOLGADO


Deu na Folha Online:

"Eu não quero saber se o João Castelo [prefeito de São Luís] é do PSDB, não quero saber se o outro é do PFL, não quero saber se é do PT, eu quero saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso em São Luís, no Maranhão, nesta quinta-feira.

Lula estava em uma cerimônia de assinatura de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida. O improviso veio após ele ressaltar que nenhum outro governo investiu tanto em saneamento básico.

Logo após a manifestação do público, o presidente reconheceu que falou um palavrão e disse que a imprensa vai repercutir sua declaração.

"Lógico que falei um palavrão aqui. Amanhã, os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão, mas eu tenho consciência que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como vive o povo pobre desse país", afirmou.

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O que se pode dizer?

1) É, Lula, os comentaristas até podem falar mais palavrão que você, mas são comentaristas, e não presidentes da República. Fale merda não, companheiro;

2) Aliás, nem sei para que tanta repercussão já que, nunca na História desse País, se viu - e ouviu - um presidente falar tanta merda;

3) O danado não é o Lula falando - desta vez literalmente - merda, mas sim o rapaz da linguagem de sinais interpretando. Vejam o vídeo clicando AQUI.

DEU NO PB AGORA: TERCEIRO SUPLENTE DO PSDB VAI À JUSTIÇA CONTRA POSSE DE RICARDO BARBOSA

Matéria assinada por Thiago Moraes:

O terceiro suplente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Ariano Fernandes, declarou em entrevista ao portal PB Agora que tão logo o deputado Agnaldo Ribeiro se afaste da Casa de Epitácio Pessoa para assumir secretaria na Prefeitura Municipal da Capital, irá acionar a justiça contra a posse do, teoricamente, segundo suplente da legenda, Ricardo Barbosa.

Segundo Ariano Fernandes, ao deixar o PSDB para se filiar ao PSB, Ricardo Barbosa passou a integrar o quadro de parlamentares infiéis. “Ele não pode tomar posse, pois abdicou do direito que possuía”, disse o suplente.

“Entrarei com uma ação na Justiça Eleitoral assim que Agnaldo Ribeiro comunicar seu afastamento da Assembleia Legislativa”, garantiu.

“Como Ricardo Barbosa deixou o PSDB, automaticamente passo para a segunda suplência da legenda”, concluiu.

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Como diria aquele personagem de novela: "Justo, muito justo, justíssimo!"

09/12/09

CÂMARA CONCEDEU TÍTULO DE CIDADANIA CAMPINENSE AO 'PAPAI NOEL'

A propositura foi de João Dantas. Na verdade, o título foi concedido ao senhor que interpreta o Papai Noel há décadas, José Sérgio Pereira dos Santos. Mas, de qualquer forma, foi no mínimo engraçado ver "Papai Noel" discursando na tribuna da Câmara. Por sinal, o desempenho do orador foi bastante superior ao de muitos dos nossos parlamentares. O que também, precisamos dizer, não é lá tão surpreendente.

E, agora, o Coelhinho da Páscoa espera a sua vez. Já o Bicho Papão, Saci Pererê, Mula Sem Cabeça e o Papa-Figo, dentre outros personagens, reclamam de discriminação à cultura local, já que nenhum deles recebeu título algum.

08/12/09

A 'SANTA' TREMEU: FESTA DA PADROEIRA TEVE PRESENÇA DE TON OLIVEIRA

Eu não estava lá, mas fiquei sabendo que a festa de Nossa Senhora da Conceição, para os católicos a padroeira de Campina Grande, teve em seu "lado profano", ontem à noite, a presença do cantor Ton Oliveira, fazendo a festa no largo da catedral. Embora a turma mais jovem tenha adorado, os católicos mais tradicionais e as senhoras de mais idade não gostaram nadinha da presença do artista, cujo repertório é, no mínimo, de gosto extremamente duvidoso e provavelmente inadequado para o tipo de evento.

Só para termos uma ideia melhor, eis, abaixo, trechos de algumas "canções" de Ton Oliveira:

"Há três coisas na vida que eu não deixo de fazer
Dançar forró do bom, raparigar e beber"

"Ai que vontade de comer mulher
Ai que vontade de comer mulher"

"Fui um grande fazendeiro tive crédito na praça, me
Depravei na cachaça por um amor bandoleiro
Gastei todo meu dinheiro com motel e diversão
Se eu chego em casa sem pão a minha mulher me grita
Cachaça e mulher bonita foi a minha perdição"

"Melhor ainda
É fungar no cangote dela
E no molhado ela se mela
Chorando e querendo mais"

"Eu descobri uma locadora de mulher
Lá tem mulher do tipo que o homem quiser"


"Esse cara é boiola, sim. Esse cara é boiola
Eu não tenho nenhum preconceito
Mas olha o jeito como ele rebola"

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Decididamente, isso é o que se pode chamar de "lixo music". Não sou católico, mas a diocese bem que poderia escolher coisa mais apropriada para esse tipo de evento, hein, Dom Jaime?

07/12/09

COUTINHO DIZ QUE PMDB QUER O PODER PELO PODER, IRONIZA CONFIANÇA DE MARANHÃO E O ACUSA DE PERSEGUIÇÃO

O prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo do Estado, Ricardo Coutinho (PSB) rechaçou qualquer possibilidade de aproximação com o PMDB do atual governador José Maranhão. Segundo Coutinho, os peemedebistas só pensam naquilo, o poder, sem que, contudo, apresentem uma política séria e consistente para o desenvolvimento da Paraíba. "Nós estamos defendendo uma ideia central, em cima de três eixos: a democratização da gestão, o desenvolvimento da economia e a implantação de políticas públicas qualitativamente superiores. Nosso setor público está quebrado no Estado, a situação é péssima. E me parece que o PMDB não tem qualquer priorização para isso, não tem vontade política, quer apenas o poder pelo poder. E nós não podemos apoiar quem quer o poder pelo poder", declarou.

Sobre as palavras de Maranhão que, na semana passada, disse que já foi eleito várias vezes sem precisar do apoio de Ricardo Coutinho, o prefeito da Capital foi sarcástico. "De fato, quando ele ganhou, em 1998, não o apoiei. Porque em 1994, quem ganhou foi Antônio Mariz; em 2002, o candidato do governador (Roberto Paulino) perdeu; em 2006, o governador perdeu. Portanto, realmente, na única vez que ele ganhou, eu não o apoiei", ironizou, lembrando que, apesar dos três mandatos exercidos, Maranhão só foi eleito de fato uma vez.

Coutinho ainda continuou: "É claro que o meu apoio (em 2006) talvez não tenha valido nada. Acho que, talvez, se eu não tivesse o apoiado, a diferença em João Pessoa teria sido maior, afinal, a força do atual governador deve ser muito grande pelo Estado afora. Tanto é que ficam permanentemente plantando notícias, implorando para que eu seja candidato ao Senado na chapa deles. Imagina, quem não tem nenhuma força, ser tão bajulado. É uma demonstração muito clara da fortaleza e da convicção com que esse pessoal está tratando".

Ricardo Coutinho também destacou seu bom relacionamento com o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), e acusou Maranhão de interferência e perseguição. "Governei João Pessoa por quatro anos tendo um governador que, em duas eleições que disputei para prefeito, estava em outro palanque e, em nenhum momento, nós faltamos com o respeito mútuo. Em nenhum momento colocamos as instituições públicas para brigarem. Por isso mesmo, não admito o que acontece hoje em João Pessoa, onde, de fevereiro para cá, venho tendo uma interferência direta do Estado nos rumos do Município. Nunca vi isso, esse governo achando que ia fazer com João Pessoa como fez com outros municípios, onde foi tomar ambulância, tomar hospital, desfazer a política do SUS, tirar o pão e leite e colocar para os Detrans da vida. Isso é uma coisa que acho abominável, por isso o PSB se põe frontalmente contrário a esse tipo de expediente", concluiu.

06/12/09

FAZER O QUE? FLAMENGO CONQUISTA O PENTACAMPEONATO BRASILEIRO

Atendendo a pedido do amigo Júlio César, eis aí uma moralzinha ao Flamengo. O registro da homenagem (fazer o que?) na imagem do sérvio Dejan Petkovic, que chegou ao rubronegro carioca rejeitado por todos, como peso morto e, aos 37 anos, foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do time e a conquista do Brasileirão. Além de Júlio, os parabéns para os também flamenguistas Dado, Marco, Romildo, Feitosa e companhia.

05/12/09

SEMANAL



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MAR DE LAMA

O ano pré-eleitoral na Paraíba já diz o que deve ser a campanha de 2010: uma panacéia de acusações, onde toda a lama possível vai ser chafurdada. O guia eleitoral promete. Ainda bem que a televisão não tem cheiro.

BATE BOCA

Zé Maranhão e Ricardo Coutinho trocam farpas por meio de recados na imprensa. Dinheiro que não teria sido usado em calçadas e a construção de um viaduto prometem ser assunto tratado nos tribunais.

O CAMPEÃO

Mas nenhuma baixaria se assemelha ao que se vê no Click PB, conforme já temos dito por aqui. Os articulistas do portal, ligado à família de Cícero Lucena, atacam Ricardo Coutinho com todo tipo de acusação que venha à mente: de ditador a terrorista, vale tudo.

OUTRA VIA

As eleições, nesse prumo, abrem espaço para uma candidatura propositiva, que não se atenha a baixarias e acusações. Uma candidatura nestes moldes poderia apresentar um crescimento relevante, como já ocorreu em outros estados, em outras ocasiões.

O PROBLEMA É...

Quem seria esse candidato? Quem poderia desenvolver uma campanha em tais moldes, abocanhando uma percentagem do eleitorado saturada por um processo degenerado e indisposta a validar nas urnas o nome de personagens envolvidos numa eleição nivelada por baixo?

FALANDO EM BAIXARIA...

Neste domingo acontecem as votações para o segundo turno do Processo de Eleições Diretas do Partido dos Trabalhadores.

FÉ DEMAIS

O deputado federal Luiz Couto, da tribuna da Câmara, acusou que o PED no Estado foi pra lá de viciado, com interferência direta de José Maranhão. E recomendou que Rodrigo Soares renunciasse. Demonstração de exacerbada credulidade por parte do padre.

E AGORA, LUIZ?

Por sinal, a situação do deputado para a eleição de 2010 fica apertada. A candidatura ao Senado não deve vigorar, uma vez que, em tese, o PT sob Rodrigo deva marchar para renovação da aliança com o atual governador.

ENTRETANTO

É necessário lembrar que a maioria dos delegados que determinarão os rumos do PT na Paraíba são ligados a Luiz Couto, o que ainda anima, de alguma forma, a sua fé.

ENTRETANTO, ENTRETANTO

O poder de negociação de Rodrigo Soares, com o apoio de José Maranhão, pode muito bem reverter esse cenário até a convenção do PT. Pode, e como pode. E Couto sabe disso.

MAL PARA BEM

Fato é que, para Luiz Couto, é bem melhor disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Eleger-se para o Senado seria muito mais difícil.

FUTUROLOGIA

Ainda nem encaminhamos o muído de 2010 e já se especula 2012. O processo das eleições para prefeito, de qualquer forma, passa pelos acontecimentos do processo atual. Em Campina, os nomes mais evidentes são os de Daniella Ribeiro (PP) e Romero Rodrigues (PSDB). Pelo lado do PMDB, ainda não se observa um cenário mais nítido. Entre a bancada de apoio a Veneziano, não se vê nenhum nome de destaque. Na Capital, Manoel Júnior (PMDB) já seria quase um pré-candidato.

04/12/09

CARÁTER

AVISO

O blog esteve sem atualização nas últimas horas por conta daquele velho problema: Net Campina. Mas, estamos encaminhando isso e, em breve, teremos novidades para resolver o caso. Vamos em frente...

02/12/09

"FEZ DE MIM OBJETO DESCARTÁVEL

QUE USOU, ABUSOU E JOGOU FORA"

Todo mundo sonha com um grande amor
Com alguém que o ame de verdade
Hoje lembro sem um pingo de saudade
E até com um tanto de torpor
Como fui inocente e credor
Enganando-me com o teu olhar outrora
Pois a alma apaixonada ignora
E ignorei o quanto eras miserável
Fez de mim objeto descartável
Que usou, abusou e jogou fora

Eu pensei reconhecer em um olhar
O haver verdade em alguém
E em ti acreditei ver tanto bem
Que desejei mais ainda te amar
Hoje sei, depois de todo o penar
Que ao semblante o fingimento se incorpora
E fingida é o que fostes cada hora
Me tornando um idiota memorável
Fez de mim objeto descartável
Que usou, abusou e jogou fora

Ainda assim, depois do que me aprontou
Sei que agora faz carinha de inocente
E com esse jeito engana a muita gente
Assim como igualmente me enganou
Se faz vítima daquele a quem vitimou
Mas quem te apóia ainda terá a sua hora
Pois uma cobra sempre morde sem demora
E tu és cobra, venenosa, incurável
Fez de mim objeto descartável
Que usou, abusou e jogou fora

Quando mais precisastes de alguém
Lá estive para poder te apoiar
Te dizendo o que sonhavas escutar
E jamais te foi dito por ninguém
Eu te fiz muito mais que muito bem
E me pagaste como declaro agora
Com ingratidão e mentira por penhora
Numa atitude totalmente inexplicável
Fez de mim objeto descartável
Que usou, abusou e jogou fora

Eu me culpo, me arrependo, me castigo
Por ter sido o que para ti me fiz ser
O homem que toda mulher deseja ter
Carinhoso, indulgente, grande amigo
Pois em troca, tu fostes para comigo
Traiçoeira e maldosa, indo embora
Tão logo tua dor teve melhora
E meu amor então tornou-se dispensável
Fez de mim objeto descartável
Que usou, abusou e jogou fora

Mas bem sei que a Justiça não falhará
E do mal que me fizestes terás troco
Teu coração também será feito de louco
Por alguém que, sorrindo, te enganará
E, nesse dia, você se lembrará
Que este é o saldo de tua troca de outrora
Mal por mal, também levarás um fora
E chorarás, dizendo em pranto lastimável:
Fez de mim objeto descartável
Que usou, abusou e jogou fora.

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(Lenildo Ferreira)

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(Dia destes, fuçando em meus arquivos, achei a poesia acima. É do tempo em que costumava fazer desafios com o poeta Marcos Dias. Escolhíamos um mote, novo ou conhecido, estabelecíamos um prazo e cada qual apresentava o seu. Quando publiquei, junto com Márcio Santana, a Cordeletras, chegamos a criar um quadro de desafios, e o próprio Márcio começou a versejar. Publico a minha e deixo, portanto, o desafio a ambos: o Big Cage de Sergipe e o "Véi" poeta da rua do Buraco. E quem mais se interessar, acunhe! Se mandarem, eu publico - cinco estrofes de dez sílabas, no máximo, para não estender muito. Vamos por mais poesia no blog.)

01/12/09

A INDEFINIÇÃO DA INDEFINIÇÃO DA INDEFINIÇÃO DA INDEFINIÇÃO... INDEFINIDA


Anteontem, no Paraíba Online:

Cássio Cunha Lima adia entrevistas com a mídia regional

O ex-governador Cássio Cunha Lima anunciou neste sábado que devido a problemas de agenda e à necessidade de um deslocamento até São Paulo na próxima semana, teve que adiar algumas entrevistas que estavam agendadas com órgãos de comunicação do Estado.

O ex-governador disse que esses contatos com os jornalistas ocorrerão ainda na primeira quinzena de dezembro.


Hoje, no Click PB:

Efraim Morais adia decisão entre Ricardo ou Cícero para o dia 14

O senador e presidente do Diretório estadual dos Democratas na Paraíba, Efraim Morais, revelou por telefone programa Rádio Verdade que a reunião marcada para o dia 11 de dezembro foi novamente adiada. Agora acontecerá no dia 14 de dezembro onde toda cúpula partidária da legenda e os membros da Executiva para a convenção que definirá os destinos dos Democratas na Paraíba.

“Só existem duas opções para o Democratas, acompanhar Cícero Lucena ou Ricardo Coutinho neste projeto das oposições, lideradas pelo ex-governador Cássio”, esclareceu Efraim.